Klimt

19 de agosto de 2008

Mais um Adeus

Mais um Adeus. Nem mais uma lágrima. Não consegui derramar uma única lágrima. As minhas lágrimas secaram. Gostava muito dela. Tenho muita pena de não a ter visitado este fim-de-semana por estar em Sagres.

Ontem fez anos. Hoje abandonou-nos.

Em 3 meses perdi 3 pessoas. Duas delas muito importantes na minha vida.

Sempre gostei que me mexessem no cabelo. Sempre que as tinha perto de mim, e quando saia do banho, pedia-lhes que me penteassem os cabelos. Elas adoravam.

Isto destabiliza-me. Fico com aqueles acessos de loucura e de raiva. Só elas eu consegui beijar depois de mortas. Aquela pele macia, agora tão fria.Nem uma lágrima. Apenas a raiva e a dor. Neste momento feliz que atravessava... Volta tudo à normalidade, mas não sei o que é a normalidade sem eles. Fecha-se um ciclo. Espero que este seja um bom ciclo. Espero conseguir. Espero que estejam todos comigo. Vocês estarão sempre comigo.

Já perdi muito este ano. Perdi o que de mais valioso alguém pode perder. Pessoas que me amavam incondicionalmente. E que fizeram muito por mim. Sei que estive com elas sempre que precisaram. Só me arrependo de não ter estado contigo nestes últimos dias. Mas não posso voltar atrás. E eu sei que tu sabes que eras para mim uma segunda avó.

Adeus. Espero que seja o último adeus dos próximos tempos. Não aguento mais despedidas.

2 comentários:

Cáti disse...

Tenho a certeza que a tua tia sabe aquilo que fizeste por ela em vida, que é realmente o que importa... Desde que te conheci e durante anos, vi-te a acordar às 8h aos domingos, independentemente do que tinhas feito no sábado á noite, para ires com o teu irmão buscar os tios à ponta oposta de Lisboa e ir levá-los a passear e depois a almoçar a FF. Essa dedicação fez-me admirar-te muito e a gostar ainda mais de ti. A tua tia tem certamente muito orgulho em teres feito parte da vida dela...

sofia disse...

A tua tia fica agora a olhar por ti, do mesmo modo que tu olhavas por ela.

"Quanto mais claro/ Vejo em mim, mais escuro é o que vejo./ Quanto mais compreendo/ Menos me sinto compreendido./ Ó horror paradoxal deste pensar... " Fernando Pessoa