Klimt
18 de outubro de 2007
Estou sem computador e sem net
Estou sem computador e sem net e estou desesperada à procura de um portátil. Tudo muito caro e nesta fase quero poupar ao máximo. Uns aconselham um, outros aconselham outro e eu fico ainda mais baralhada porque não percebo nada. E isto de comprar coisas caras sem perceber nada é complicado e amedronta-nos. Estou desesperada porque realmente não consigo viver sem Internet.
9 de outubro de 2007
3 de outubro de 2007
Só boas notícias...
Portugal regista aumento de desemprego em Agosto e é um dos três paíse da União Europeia em que o desemprego aumentou em relação a 2006.
É só boas notícias...
É só boas notícias...
Sinto o mesmo..
Copiado do blog da Carolina:
""às vezes tens coisas de menina grande, outras de menina pequena." pois tenho."
Sinto o mesmo...
""às vezes tens coisas de menina grande, outras de menina pequena." pois tenho."
Sinto o mesmo...
2 de outubro de 2007
Maria
Significado do seu Nome
Nome: Maria
Significado: Hebraico, significa senhora soberana. Nome que indica serenidade, força vital e vontade de viver. Por vezes são forçadas a pedir auxílio para resolução dos muitos problemas que tem de enfrentar na vida e para aguentar a dor. Consideram o dinheiro necessário, mas não essencial. Do hebraico "amargura, mágoa, soberana".
Nome: Maria
Significado: Hebraico, significa senhora soberana. Nome que indica serenidade, força vital e vontade de viver. Por vezes são forçadas a pedir auxílio para resolução dos muitos problemas que tem de enfrentar na vida e para aguentar a dor. Consideram o dinheiro necessário, mas não essencial. Do hebraico "amargura, mágoa, soberana".
26 de setembro de 2007
ai este vinicius...(dizia-me a Sílvia)
"Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra quê somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"
Vinicius de Moraes
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra quê somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"
Vinicius de Moraes
Lançamento da TimeOut Lisboa
Vou mesmo comprar casa
Casa reservada. Simulações feitas. Uma manhã a ouvir falar em spreads, carências, taxas fixas, etc, etc. Falta ver mais dois banco e tomar uma decisão...A vida começa a complicar-se...
Police em Portugal
Um Estádio Nacional a meio gás, uma noite fria e lendas em palco. Bom som, boa presença, boa música. Não tendo sido um concerto fabuloso, foi bom ouvir "Roxane", "King of Pain", "Message in a bottle" e outros hits. Seguem os vídeos amadores e bem tremidos.
"Les Uns et les Autres"
Um filme a ver. No início lê-se: "Só há 2 ou 3 histórias na vida dos seres humanos e repetem-se tão cruelmente como se nunca tivessem acontecido" Willa Cather
2ª Guerra mundial, 3 cidades diferentes, 3 histórias que se cruzam e se repetem de geração em geração. Porque o nosso passado influencia a nossa vida.
2ª Guerra mundial, 3 cidades diferentes, 3 histórias que se cruzam e se repetem de geração em geração. Porque o nosso passado influencia a nossa vida.
23 de setembro de 2007
Jorge Palma no Olga Cadaval
Na sexta feira fui ver o Jorge Palma ao Olga Cadaval e não gostei. Aquele ambiente de evento social, todos confortável e silenciosamente sentados, a distância do palco...onde estavam as pessoas simples que gostam de música e que não se passeiam a exibir o último modelito?Mas grande Jorge!O ambiente não estava criado, mas a música vale sempre por si! "Na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal...."
19 de setembro de 2007
Marco Aurélio: "Nós somos feitos para cooperar...."
"Nós somos feitos para cooperar, como os pés, como as mãos, como as pestanas, como os dentes de cima e de baixo. Agir uns contra os outros é portanto contrário à Natureza.Não actues como se fosses viver dez mil anos. A morte paira sobre ti. Enquanto vives, enquanto depende de ti, sê bom.Os homens buscam o isolamento, no campo, à beira mar, nas montanhas e têm tendência a desejar muito essas coisas. Mas isso é uma característica dos homens mais vulgares, porque está ao teu alcance, sempre que quiseres, isolar-te em ti mesmo. De facto, em lado nenhum, por mais tranquilo e mais livre de problemas que ele seja, um homem consegue isolar-se mais que na sua própria alma, particularmente quando ele possui dentro de si pensamentos que, ao encerrar-se neles, o tornam de imediato perfeitamente tranquilo. Portanto, afirmo aqui que a tranquilidade não é nada mais nada menos que o perfeito ordenamento da mente.Todas as coisas estão tecidas em conjunto e a sua ligação é sagrada, sendo difícil que uma coisa seja estranha a outra, porque elas foram dispostas em conjunto nos seus lugares e em conjunto formam o mesmo Universo ordenado. Isto acontece porque existe apenas um Universo entre todos, um Deus entre todos, uma substância e uma lei, uma Razão comum a todas as criaturas inteligentes e uma Verdade. Toma pois frequentemente em consideração a ligação entre todas as coisas do Universo. Não devemos dizer “sou Ateniense” ou “sou Romano” mas sim “sou cidadão do Universo”.O tempo é como um rio de corrente violenta, feito de eventos que se sucedem. Mal uma coisa acontece é levada, outra coisa toma o seu lugar e esta será por sua vez levada.Aquele que viu as coisas presentes viu todas as coisas, tanto as coisas que aconteceram desde o princípio dos tempos como todas as que acontecerão no tempo sem fim. Porque todas as coisas são de um tipo e de uma forma."
Marco Aurélio
Marco Aurélio
18 de setembro de 2007
E acho que vou ter casa
Acho que a casa foi escolhida ou me escolheu, apesar de eu ainda não estar muito convencida, mas é uma excelente oportunidade e tem de ser agarrada. Parece que é desta...agora é bancos, simulações e afins...e acho que fiquei com medo...
17 de setembro de 2007
«A verdadeira liberdade é podermos tudo por nós»
«A verdadeira liberdade é podermos tudo por nós»
Montaigne
E eu vou conseguir!
Montaigne
E eu vou conseguir!
Estou farta de tentar acertar com o modelo do meu blog
Estou farta de tentar acertar com o modelo do meu blog. Já experimentei vários modelos, tipos de cores, tipos de letras e não estou nada satisfeita com o resultado final. Aceitam-se sugestões e dicas. Este blog precisa da vossa ajuda!Desesperadamente!
Rótulos
Será preciso sermos rotulados? Eu diria que não. Mas passamos o tempo a rotular as pessoas. A questão é que a natureza humana não é assim tão simples....
Uma simples verdade
Leio num blog: "as pessoas ou querem fugir ao amor ou querem apressá-lo...e esquecem-se que o amor acontece...". Uma simples verdade. Porque o amor acontece. E se acontecer de verdade, acho que fica. É bonito, não é? Sorrio.
Preciso de fazer exercício
No recomeço da dieta a sério, começo a pesquisa de ginásios e comparação de preços para começar a fazer exercício. Tem mesmo de ser!
Continua a busca de casa
Hoje mais duas visitas a imóveis radicalmente diferentes. Um velho e a precisar de inúmeras obras mas com grandes àreas, muita luz e uma arrecadação com casa-de-banho óptima para grandes patuscadas. Outra totalmente remodelada, com bons acabamentos, bons materiais e pronta a habitar, que era tudo o que eu mais queria. E por qual é que me apaixonei?Pela velha, a precisar de obras e de cheiro desagradável....vá-se lá perceber o que eu quero realmente...
Novo código penal
Não percebo nada do novo código penal mas só ouço falar em prisões preventivas que deixam de existir, presos condenados ou em prisão preventiva devido a crimes graves e que vão ser libertos. Acho tudo confuso e assustador e pouco racional. Mas não percebo nada. Tenho de ler mais sobre o novo código penal.
16 de setembro de 2007
Mais blogs
Já tenho mais blogs para ler. A Mary e a Sofia já têm um blog. Já adicionei aos favoritos.
Odeio o Domingo
Odeio o Domingo. Não só por ser o último dia do fim-de-semana e por ser aquele dia morto em que ninguém faz nada. Porque é um dia cheio de rotinas para mim. Porque tenho de ir buscar os tios, a avó, dar imensas voltas de carro, acordar cedo, ajudar na cozinha, lavar a louça, etc, etc. Estou cansada, cansada, cansada. Porque é que não posso ter fins-de-semana iguais aos das outras pessoas?
Uma daquelas músicas que me diz tanto...
Adoro o Jeff Buckley!Esta, como quase todas as músicas dele tocam a minha vida. Adoro esta voz, estas melodias e estas letras. Uma daquelas músicas que me diz tanto...
http://www.youtube.com/watch?v=noQH6lyu0sA
http://www.youtube.com/watch?v=noQH6lyu0sA
Amanhã começo a fazer dieta
Amanhã começo a fazer dieta, mas dieta à séria. Estou mais gorda, sinto-me mais gorda, apesar de toda a gente me dizer que estou igual. Não me sinto bem e tenho de mudar isto. Amanhã inicio a minha dieta.
Não gosto quando me deixas triste
Não gosto quando me deixas triste...mesmo sem saberes...mesmo sem o fazeres com intenção...mas deixaste-me triste.
15 de setembro de 2007
Afinal não deixei bem de fumar
Ao fim de muitos meses, fraquejei. Não voltei a fumar como fumava , não me considero uma fumadora. Fumo de vez em quando à noite em jantares ou concertos. Nunca mais fumei de dia e com a rotina de fumadora. Sou a fumadora esporádica e ocasional. Mas falhei. Sou uma fraca.
Quero uma casa
Continuo a querer muito uma casa!! Quero a minha independência, não ter horários, nem rotinas, nem satisfações a dar. Quero sentir-me livre e só.
Encontro
Foi engraçado apresentar-te. O receio, o medo do que acharias, de como seria...foi engraçado. Aliás, foi como se eu nem tivesse presente. Ignoraram-me completamente. O futebol aproxima os homens. Discutiam acerrimamente, pontos de vista, visões de jogo, trocavam opiniões. Não poderia ter sido em melhor situação.
"O Segredo"
Toda a gente me fala n"O Segredo". Perguntam-me se já li, se já vi o filme e respondo que não mas que já sei do que trata e que acredito. O poder do querer, do acreditar, do visualizar, do pensar positivamente. Se era segredo já deixou de o ser há muito tempo.
Afastamento
Crescemos, aprendemos, conhecemos pessoas novas, realidades diferentes.....mudamos....aproximamo-nos de uns...afastamo-nos de outros. Tornamo-nos uns estranhos conhecidos.......aquela realidade deixou de existir, deixou de fazer sentido. Não somos os mesmos.
Ansiedades
Durante o jantar da minha amiga Liliana, víamos no LCD do restaurante um programa da MTV chamado "Virgin Diaries", em que adolescentes, durante alguns meses fazem o relato das suas conquistas até ao momento em que escolhem alguém para perder a virgindade e falam sobre essa experiência. A adolescente que surgiu ontem no programa tinha 16 anos e estava interna num colégio de freiras. A mãe tinha dado autorização para a sua participação no programa. A jovem de 16 anos falava dos rapazes que conhecia durante as saídas. Adorava fazer sexo oral e o que mais gostava era o 69. Dizia que um dos rapazes tinha sido o 147º b* que fazia. Dizia que só engolia quando eles eram especiais, o que significava ter estado com ele mais que duas vezes. Chegava a estar com 2 rapazes por noite. Em conversa com amigas perguntava-se se se masturbavam. Todas disseram que sim e que no dia anterior tinham tido uma luta de dildos. O sonho dessa adolescente era ser stripper. Isto são algumas das coisas que me recordo do programa. Estávamos todos chocados e éramos todos adultos. Estes meninos crescem demasiado rápido. Nem sequer consigo perceber que pais são estes. Que programação televisiva é esta. Que exploração é esta. Quando saí do restaurante, que era ao pé do Garage vejo uma série de adolescentes (entre os 14 e os 15 anos) à porta da discoteca com roupa bastante decotada e justa, alcoolizados e com um comportamente fortemente sedutor. Fiquei angustiada. Fiquei ansiosa. Não sei se quero ser mãe. Não vou conseguir lidar com estas situações, acompanhar esta juventude que cresce demasiado rápido. Estou a ficar velha. Já sinto o generation gap. Não posso exigir muito dos meus próprios pais. Mas senti medo. Ansiedade.
11 de setembro de 2007
Eduardo Prado Coelho
Com as férias, as viagens e todas as manobras de diversão restantes ficou esquecida uma homenagem ao recentemente falecido Eduardo Prado Coelho. Uma figura emblemática e respeitada da cultura nacional. Cruzei-me algumas vezes com ele pela Faculdade e pelo bar onde muitas vezes estava a conversar com alunos. Estava habituada à leitura das suas crónicas no "Público". Uma tocou-me particularmente e aqui fica em jeito de homenagem e de reflexão...
"CONSTRUIR UM PAÍS
PRECISA-SE DE MATÉRIA-PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS
Eduardo Prado Coelho - in Público
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram o lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria-prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados…igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!
EDUARDO PRADO COELHO"
"CONSTRUIR UM PAÍS
PRECISA-SE DE MATÉRIA-PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS
Eduardo Prado Coelho - in Público
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram o lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria-prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados…igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!
EDUARDO PRADO COELHO"
O caso Maddie
Estou farta deste caso, desta especulação e de tudo o que rodeia este caso...sim, sou humana, mas uma humana cansada deste sensacionalismo.
Avante
Mais uma primeira vez: Avante 2007
Este é o ano de algumas descobertas....Uma delas foi a Festa do Avante. A "Festa" como lhe chamam, como se fosse a única e a mais representativa. Não sendo comunista, gostei de sentir aquele ambiente de festa, de celebração, de união, de comunidade. O trabalho voluntário, a partilha, o um por todos, a música, a militância. A festa que se gera ao ouvir a "Carvalhesa", quando todos pulam e dançam e celebram. As pessoas de todas as idades, o país representado com a nossa gastronomia, costumes e cultura. Também houve coisas más. O parque de campismo com as filas intermináveis para a casa-de-banho e duche, a falta de higiene e a falta de respeito que temos na utilização de um espaço que é para todos. Gente a mais para os meios existentes. O barulho, as batucadas...Mas o pior foi realmente esquecido pela festa, pela animação, pelas gargalhadas e pela companhia. Todos aqueles com quem partilhei aqueles momentos, os encontrei espontaneamente, viver isto contigo, foram momentos muito divertidos. Até estive no comício e quase na primeira fila...espero não ter sido filmada nem fotografada. Com algumas coisas concordei, com muitas outras discordei. O Avante já terminou. Ficam as imagens, os sons, o cansaço, as gargalhadas, os cânticos, os copos e muita, muita festa. Para o ano há mais e eu vou lá estar.
Este é o ano de algumas descobertas....Uma delas foi a Festa do Avante. A "Festa" como lhe chamam, como se fosse a única e a mais representativa. Não sendo comunista, gostei de sentir aquele ambiente de festa, de celebração, de união, de comunidade. O trabalho voluntário, a partilha, o um por todos, a música, a militância. A festa que se gera ao ouvir a "Carvalhesa", quando todos pulam e dançam e celebram. As pessoas de todas as idades, o país representado com a nossa gastronomia, costumes e cultura. Também houve coisas más. O parque de campismo com as filas intermináveis para a casa-de-banho e duche, a falta de higiene e a falta de respeito que temos na utilização de um espaço que é para todos. Gente a mais para os meios existentes. O barulho, as batucadas...Mas o pior foi realmente esquecido pela festa, pela animação, pelas gargalhadas e pela companhia. Todos aqueles com quem partilhei aqueles momentos, os encontrei espontaneamente, viver isto contigo, foram momentos muito divertidos. Até estive no comício e quase na primeira fila...espero não ter sido filmada nem fotografada. Com algumas coisas concordei, com muitas outras discordei. O Avante já terminou. Ficam as imagens, os sons, o cansaço, as gargalhadas, os cânticos, os copos e muita, muita festa. Para o ano há mais e eu vou lá estar.
5 de setembro de 2007
Diversidade
Gosto de conceitos como diversidade e multicularidade. Gosto dos que são diferentes de mim. Gosto das suas particularidades e da sua riqueza. Gosto de descobrir novos mundos noutros olhares. Não gosto que se aproximem do meu mundo, mas gosto de me aproximar do mundo dos outros. Gosto de ser eu em várias vidas.
Madrid
O regresso a uma cidade pouco explorada. A movida. O calor forte. Os leques. As caminhadas perdidas pela cidade. As esplanadas e a comida. O nascimento de uma nova amizade de seu nome Rosa Branca. Os percalços. A minha amiga Sílvia e a sua aventura. A minha amiga Eliana. Os planos furados. A diversão. O cansaço. A beleza. Os leques. A lígua e "su musiquita".Uma cidade que não pára e encanta. Por momentos vi-me lá. A cidade das oportunidades e aqui tão perto. A varanda do quarto da Sílvia virada para a praça 2 de Maio. A suave brisa nocturna. O ruiído de rua movimentada. Caminhar, caminhar...me encanta Madrid!!
"sinto-me sozinho sem ti..."
No dia em que parti para Madrid acordei com a seguinte sms: "Não te quero acordar, mas para o ano vens a Barrancos. Sinto-me sozinho sem ti aqui. Tal como em qualquer outro lado...Beijos grandes".
Não me acordaste às 4h da manhã quando enviaste a sms mas só queria que visses o sorriso com que eu acordei de manhã após ler esta mensagem. Um sorriso daqueles de fazer muitas rugas!!Não só por sentires a minha falta, mas por fazeres planos para daqui a um ano, pela assertividade do teu "vens", quase imperativo. Achei delicioso. Releio tantas vezes essa mensagem...
Não me acordaste às 4h da manhã quando enviaste a sms mas só queria que visses o sorriso com que eu acordei de manhã após ler esta mensagem. Um sorriso daqueles de fazer muitas rugas!!Não só por sentires a minha falta, mas por fazeres planos para daqui a um ano, pela assertividade do teu "vens", quase imperativo. Achei delicioso. Releio tantas vezes essa mensagem...
28 de agosto de 2007
Alterações profissionais
A empresa mudou de localização. O meu lugar não é o mesmo. O meu caminho não é o mesmo. Tornam-se finalmente realidade as promessas. Volto ao meu contrato de empresa. Finalmente a efectividade. Finalmente o aumento. Estou tão contente! É pensar pequeno, é verdade. Há que continuar a procurar melhor. O meu caminho não é por ali. Mas nesta fase é tão importante esta mudança e esta pequeno motivação!
O mês de Agosto e as ausências
Gosto do verão. Gosto do calor. Gosto da praia. Gosto das noites longas e quentes (que este ano não existiram) mas não gosto de no mês de Agosto não ter todos os meus amigos por perto. Estão todos dispersos. Todos em qualquer lado. Todos longe de mim. Não gosto desta distância. Não gosto desta ausência. Não gosto desta espécie de vazio.
A casa
A casa. Esse desejo tão ansiado. Esse desejo que começa a ter contornos de realidade. Com medos. Com recuos. Com contas. Mas com uma vontade muito forte. Um caminho a percorrer. Vai tornar-se realidade brevemente. Tem de ser
Tenho saudades tuas..
Os dias passam e tu não estás...é nestas alturas que me apercebo que me fazes falta...quando paro e as recordações dos nossos momentos juntos assolam os meus pensamentos...a lembrança do teu cheiro...o som da tua voz...a vontade de te contar as pequenas coisas do dia a dia e os meus planos...tu dizes que é só uma semana e que vai passar rápido..eu respondo que é pelo menos uma semana e meia mas que Madrid vai ajudar a torná-la ainda mais pequena. Mandas-me beijos muito grandes...não só beijos...nem beijos grandes..mas beijos muito grandes...e só eu que te começo a conhecer é que percebo a importância dos beijos muito grandes...tenho mesmo saudades tuas!
Estou quase a ir para Madrid...
Estou a dois dias de ir para Madrid visitar a Sílvia. Mais uma cidade a explorar, estar com as minhas amigas Sílvia e Eliana e sentir os ritmos de mais uma cidade. Estou ansiosa por esta viagem!!
23 de julho de 2007
Verão?
Este ano o Verão tarda em aparecer. Estamos quase no fim de Julho com temperaturas amenas, vento, noites frias e chuva. Estou branca, quase não fui à praia e estou cheia de saudades das noites quentes na esplanada. Em alguns países de Europa chove...fala-se de aquecimento global e estranha-se. Qual aquecimento?O que se passa com o Verão?
Regresso às palvaras...
Terminei o último trabalho da Pós-Graduação ontem. Tal como disse nos Devaneios, descuidei os meus hábitos de leitura. O curso, o trabalho e os meus tempos livres cansavam-me e distanciavam-me desse prazer cultivado desde a infância. Regressei aos meus livros e às minhas leituras. Peguei no Estrangeiro, do Camus e no Budapeste, do Chico Buarque e que bom foi sentir o contacto do livro que se abre e se move nas nossas mãos, as páginas que se viram, as palavras que se movimentam em frente dos nossos olhos. O Estrangeiro vai já a meio e não consigo parar de ler. O Budapeste vai ainda no início porque a escrita em brasileiro torna a leitura mais lenta, mas igualmente saborosa. Começa por falar na aprendizagem de novas línguas, do estranhar os fonemas até se entranharem e o desejo de explorar a língua se tornar incontrolável. Que saudades de ler compulsivamente sem ter de perder o meu tempo a ler tretas de ciências documentais, ultrapassadas e desinteressantes. Que bom voltar aos meus livros.
Multibanco
O meu cartão Multibanco desmagnetizou. Conseguia levantar dinheiro nas caixas multibanco mas em alguns pagamentos o cartão falhava. Antes que ele desmagnetizasse de vez, dirigi-me ao meu banco para pedir um novo cartão. Mas aqui a inteligente esqueceu-se que ia ficar sem cartão. Quando vejo o funcionário pegar num tesoura e inutilizar o meu cartão pensei que já tinha feito asneira. Com apenas 30 euros na carteira nem me lembrei de pegar na caderneta e levantar mais dinheiro. O cartão demora uma semana. Confesso que não vivo sem o meu MB. Ainda por cima vou para Sines na quarta e nem sei se o meu cartão já estará disponível. Tinha o jantar de cops, tinha compras para fazer e o fim-de-semana foi penoso...sempre limitada, a pensar que não podia comprar nada porque tinha apenas aquele dinheiro e ele tinha de durar. E é nestas alturas que tudo nos parece lindo e maravilhoso e que só nos apetece comprar coisas. Mas apercebi-me de uma coisa. Sem MB não há acessos consumistas. Se só tiver aquele dinheiro, não posso mesmo gastar mais do que tenho disponível e tomei uma resolução. Vou passar a deixar mais vezes o cartão MB em casa. É a melhor forma de poupar. Vamos lá ver se consigo...
20 de julho de 2007
ai a insegurança...
E o que faço eu quando ele vai de férias para o Alentejo no dia seguinte e eu lhe digo que vou ter saudades dele e que vou deitar-me cedo e ele me responde que faço bem e que vai fazer o mesmo? Bem...fico chateada, insegura e triste...não era a resposta que eu queria...pode ser feitio, timidez, distracção, muita coisa. Pode também ser o não sentir, o não mentir, o não querer iludir....pois é, ai a insegurança!!
19 de julho de 2007
Vergonha...
Leio esta notícia no DN e recuo muitos e muitos anos atrás e sinto vergonha, muita vergonha...
"Brancos provocaram, mas negro é que foi condenado a 22 anos
Mychal Bell é um rapaz de 16 anos e pode agora ser condenado a 22 anos de prisão por "agressão" a um colega do liceu de Jena, pequena cidade do estado americano da Luisiana. O caso seria banal se não envolvesse um negro e um branco, fazendo ressurgir o fantasma do racismo no Sul dos EUA. Uma região onde cordas penduradas em árvores ainda são sinónimo de linchamentos, século e meio após o fim da escravatura.Tudo começou em Setembro de 2006, o Verão estava a terminar e os alunos brancos do liceu de Jena estavam sentados debaixo da velha árvore no pátio da escola no primeiro dia de aulas. Numa cidade em que 85% da população é branca, a ordem centenária que afastava os alunos negros do centro do pátio podia ter continuado por muitos anos não fosse um aluno negro ter feito a pergunta fatídica: "Também nos podemos sentar debaixo da árvore?" A directora do liceu não teve dúvidas: "Sentem-se onde quiserem." Mas, na manhã seguinte, os alunos que ousaram violar a tradição encontraram penduradas na velha árvore uma clara ameaça: três cordas com nó corredio. "A corda nesta região é sinónimo de escravatura, linchamentos e Ku Klux Klan [a organização supremacista branca]", disse Caseptla Bailey, a mãe de um aluno citada pelo diário francês Le Monde.Os autores da provocação foram rapidamente identificados: três alunos brancos. O director da escola exigiu a expulsão, mas o conselho de professores considerou o incidente uma "brincadeira de crianças" e pediu três dias de suspensão. Chocados com a decisão, os pais dos alunos negros reuniram-se para discutir a situação e na manhã seguinte alguns alunos, entre eles seis estrelas da equipa de futebol americano local, organizaram um protesto debaixo da árvore da discórdia. Assustada, a direcção da escola chamou a polícia que ameaçou os alunos. Nos dias seguintes, agentes percorreram os corredores do liceu que acabou por ser encerrado. Para o Jena Times, "a culpa é dos pais negros" que transformaram "uma brincadeira" num "caso de racismo".As coisas acabaram por acalmar, apesar de a tensão ser latente. A 30 de Novembro, um incêndio no liceu deixou a polícia em estado de alerta. E o fim-de-semana seguinte foi de violência, com alunos a envolverem-se numa luta.Mas foi no dia seguinte que a situação se descontrolou. Provocados por Justin Baker, um dos autores da "brincadeira" das cordas, seis alunos negros envolveram-se numa rixa. Mychal Bell perdeu a cabeça e pontapeou o rapaz. De repente, uma acusação de "agressão" transformava-se em "tentativa de homicídio".Os pais protestaram, as associações anti-racismo também, mas Bell foi mesmo a tribunal. Numa sala de audiências dividida entre brancos e negros, o rapaz enfrentou um júri, um procurador e um juiz brancos. Defendido por um advogado oficioso - esse sim, negro - que não colocou uma única objecção, nem convocou testemunhas, a estrela de futebol viu o sonho de conseguir uma bolsa de estudos destruído quando o júri o considerou culpado de "agressão" e pediu uma pena de 22 anos de prisão. E o aluno agredido? Saiu do hospital três horas depois. "
"Brancos provocaram, mas negro é que foi condenado a 22 anos
Mychal Bell é um rapaz de 16 anos e pode agora ser condenado a 22 anos de prisão por "agressão" a um colega do liceu de Jena, pequena cidade do estado americano da Luisiana. O caso seria banal se não envolvesse um negro e um branco, fazendo ressurgir o fantasma do racismo no Sul dos EUA. Uma região onde cordas penduradas em árvores ainda são sinónimo de linchamentos, século e meio após o fim da escravatura.Tudo começou em Setembro de 2006, o Verão estava a terminar e os alunos brancos do liceu de Jena estavam sentados debaixo da velha árvore no pátio da escola no primeiro dia de aulas. Numa cidade em que 85% da população é branca, a ordem centenária que afastava os alunos negros do centro do pátio podia ter continuado por muitos anos não fosse um aluno negro ter feito a pergunta fatídica: "Também nos podemos sentar debaixo da árvore?" A directora do liceu não teve dúvidas: "Sentem-se onde quiserem." Mas, na manhã seguinte, os alunos que ousaram violar a tradição encontraram penduradas na velha árvore uma clara ameaça: três cordas com nó corredio. "A corda nesta região é sinónimo de escravatura, linchamentos e Ku Klux Klan [a organização supremacista branca]", disse Caseptla Bailey, a mãe de um aluno citada pelo diário francês Le Monde.Os autores da provocação foram rapidamente identificados: três alunos brancos. O director da escola exigiu a expulsão, mas o conselho de professores considerou o incidente uma "brincadeira de crianças" e pediu três dias de suspensão. Chocados com a decisão, os pais dos alunos negros reuniram-se para discutir a situação e na manhã seguinte alguns alunos, entre eles seis estrelas da equipa de futebol americano local, organizaram um protesto debaixo da árvore da discórdia. Assustada, a direcção da escola chamou a polícia que ameaçou os alunos. Nos dias seguintes, agentes percorreram os corredores do liceu que acabou por ser encerrado. Para o Jena Times, "a culpa é dos pais negros" que transformaram "uma brincadeira" num "caso de racismo".As coisas acabaram por acalmar, apesar de a tensão ser latente. A 30 de Novembro, um incêndio no liceu deixou a polícia em estado de alerta. E o fim-de-semana seguinte foi de violência, com alunos a envolverem-se numa luta.Mas foi no dia seguinte que a situação se descontrolou. Provocados por Justin Baker, um dos autores da "brincadeira" das cordas, seis alunos negros envolveram-se numa rixa. Mychal Bell perdeu a cabeça e pontapeou o rapaz. De repente, uma acusação de "agressão" transformava-se em "tentativa de homicídio".Os pais protestaram, as associações anti-racismo também, mas Bell foi mesmo a tribunal. Numa sala de audiências dividida entre brancos e negros, o rapaz enfrentou um júri, um procurador e um juiz brancos. Defendido por um advogado oficioso - esse sim, negro - que não colocou uma única objecção, nem convocou testemunhas, a estrela de futebol viu o sonho de conseguir uma bolsa de estudos destruído quando o júri o considerou culpado de "agressão" e pediu uma pena de 22 anos de prisão. E o aluno agredido? Saiu do hospital três horas depois. "
17 de julho de 2007
Radares
Radares renderam no primeiro dia mais de 114 mil euros. Nós, condutores, não aprendemos a respeitar as regras.No dia em que começaram a funcionar os radares, entre as 09.15 e as 18.00 foram apanhados 1912 condutores em excesso de velocidade.
13 de julho de 2007
Tu...és meu...
A Carol pergunta porque não posto eu sobre este momento da minha vida. Antes de mais, porque não tenho tido tempo. Porque a minha cabeça está em tanto lado. Porque sinto aquele frio na barriga, aquela ansiedade que aguarda a sms, o telefonema, o encontro, o beijo, o abraço. Porque é nisso que me concentro. No libertar da minha timidez, no querer dizer coisas que não digo,no fazer coisas que não faço. A frustração de não me conseguir libertar destas amarras que me limitam e a felicidade de não me sentir pressionada, forçada a nada. As coisas evoluem lentamente, calmamente. Sinto os meus ritmos acompanhados. Faz-me rir a timidez, o cuidado com que me diz as coisas, o pedido de desculpa quando falha, o "tou a brincar..."quando faz um comentário mais malandro. Acho que ele me percebe e é tão bom. Não me apetece falar do ontem. Apetece-me falar do hoje. Aguardo ansiosamente que ele saia da oral....está atrasado. Iamos jantar e ao teatro. Pede desculpa mas ainda não fez a oral. Diz-me para jantar. Quando acabar vem ter comigo. O meu coração dispara. Não o vejo há dois dias. Só me apetece abraçá-lo, tocar aquela barba, sentir aquela boca quente. Tenho saudades. Gosto da forma como ele coloca questões: "Achas bem?Está bem para ti?"Gosto da forma como dizes "vou ter contigo e logo se vê", porque o importante é estarmos juntos.Quero que esta nuvem de timidez se perca mas não deixo de achar piada. Tu és meu. Senti isso no jantar. Ali estava eu no vosso jantar,no teu grupo de amigos, contigo. Tocas-me no ombro e senti logo o meu corpo desejar o teu com aquele leve roçar de pele. Deste-me um beijo na testa. O teu primeiro beijo. Já no carro deste-me aquela rosa que andava por lá perdida. Nunca me hei-de esquecer dessa noite. 7.07.2007. Agora vou continuar à tua espera...
19 de junho de 2007
Post ao meu sobrinho
Escrevi este post no nosso blog mas é obrigatório tê-lo no meu blog....este já conhecem
Ainda não sei o teu sexo, nem teu nome, ainda não te sigo o olhar, não ouço o teu choro nem vejo o teu sorriso. Só vejo a barriga da mãe a crescer cada vez mais e mais e mais e a ficar bem redondinha. Leio os posts que ela te escreve sobre o que sente contigo dentro dela. A tua primeira prenda, a primeira sms do papá, a primeira vez que ela escreveu bébé, as ecografias, a primeira pessoa que lhe deu lugar no comboio e tantas coisas que ela partilha connosco e que vai partilhar ainda porque ainda vais estar dentro dela mais alguns meses. Mas sabes, não é possível partilhar o que vocês dois vivem. schhiuu, não contes....é segredo, é vivido só por vocês e chama-se amor, maternidade. Ainda estás aí enroscadinho e quentinho, mas tenho a certeza que já sabes do que falo. Não só sabes, como sentes. Também ouves as nossas vozes, os nossos risos de alegria e as nossas mãos na barriga da mamã a fazer-te festinhas. As nossas primeiras festinhas......Não sabes quem eu sou mas quando souberes vais ter em mim uma grande amiga. Da mesma forma que eu sou do pai e da mãe. Sabes que eles são um casal assim....especial. Eu não gosto de clichés, mas eles foram feitos um para o outro. Eu invejo muito a relação deles. Quero uma igual. Depois tu vais ver. Vais ver e sentir que és um privilegiado.. Esta é a primeira vez que falo contigo. É a nossa primeira partilha. E partilha é uma palavra importante para nós. Muito importante. A mamã disse-me que anda a ouvir Mozart mas depois eu mostro-te o que é música. E claro, tenho de te levar a concertos!Isso é obrigatório.!Temos de falar muito de música! Agora aproveita este momento em que estás aí...é único e ninguém se lembra como é. Mistérios da vida. Nós continuamos a olhar para ti e a fazer festinhas e a dar-te/vos muitos miminhos. E estamos à tua espera. De braços abertos.Vais ter tantas tias! E tão diferentes!Mas as melhores! E olha, daqui a muitos, muitos anos, vais rir-te ao ler tudo isto.Aliás, vamos rir-nos juntos. Agora, descansa. Já é tarde. Não me ligues. É que eu quero ter muitos bébés. Quero que tenhas muitos amigos para brincar. Depois vens para a minha casa e eles vão à tua para muitas brincadeiras e tropelias. Sabes, a vida até pode ser simples.Nestes momentos parece. Este ano é de mudanças para a vossa família. Vais ver a casa nova. Não vais ver a casa em que foste concebido. Foi a primeira casa dos pais. E por isso foi especial. Mas agora guardamos o passado. Olhamos para o futuro. Olhamos para ti. Porque tu estás aí, dentro da barriga da mãe. Porta-te bem!E quando eu estiver com a mãe dá muitos pontapés para eu saber que tu me ouves. Ainda nem te conheço e já gosto de ti.
Bjs
Maria João (provavelmente para ti serei também apenas Maria)
Ainda não sei o teu sexo, nem teu nome, ainda não te sigo o olhar, não ouço o teu choro nem vejo o teu sorriso. Só vejo a barriga da mãe a crescer cada vez mais e mais e mais e a ficar bem redondinha. Leio os posts que ela te escreve sobre o que sente contigo dentro dela. A tua primeira prenda, a primeira sms do papá, a primeira vez que ela escreveu bébé, as ecografias, a primeira pessoa que lhe deu lugar no comboio e tantas coisas que ela partilha connosco e que vai partilhar ainda porque ainda vais estar dentro dela mais alguns meses. Mas sabes, não é possível partilhar o que vocês dois vivem. schhiuu, não contes....é segredo, é vivido só por vocês e chama-se amor, maternidade. Ainda estás aí enroscadinho e quentinho, mas tenho a certeza que já sabes do que falo. Não só sabes, como sentes. Também ouves as nossas vozes, os nossos risos de alegria e as nossas mãos na barriga da mamã a fazer-te festinhas. As nossas primeiras festinhas......Não sabes quem eu sou mas quando souberes vais ter em mim uma grande amiga. Da mesma forma que eu sou do pai e da mãe. Sabes que eles são um casal assim....especial. Eu não gosto de clichés, mas eles foram feitos um para o outro. Eu invejo muito a relação deles. Quero uma igual. Depois tu vais ver. Vais ver e sentir que és um privilegiado.. Esta é a primeira vez que falo contigo. É a nossa primeira partilha. E partilha é uma palavra importante para nós. Muito importante. A mamã disse-me que anda a ouvir Mozart mas depois eu mostro-te o que é música. E claro, tenho de te levar a concertos!Isso é obrigatório.!Temos de falar muito de música! Agora aproveita este momento em que estás aí...é único e ninguém se lembra como é. Mistérios da vida. Nós continuamos a olhar para ti e a fazer festinhas e a dar-te/vos muitos miminhos. E estamos à tua espera. De braços abertos.Vais ter tantas tias! E tão diferentes!Mas as melhores! E olha, daqui a muitos, muitos anos, vais rir-te ao ler tudo isto.Aliás, vamos rir-nos juntos. Agora, descansa. Já é tarde. Não me ligues. É que eu quero ter muitos bébés. Quero que tenhas muitos amigos para brincar. Depois vens para a minha casa e eles vão à tua para muitas brincadeiras e tropelias. Sabes, a vida até pode ser simples.Nestes momentos parece. Este ano é de mudanças para a vossa família. Vais ver a casa nova. Não vais ver a casa em que foste concebido. Foi a primeira casa dos pais. E por isso foi especial. Mas agora guardamos o passado. Olhamos para o futuro. Olhamos para ti. Porque tu estás aí, dentro da barriga da mãe. Porta-te bem!E quando eu estiver com a mãe dá muitos pontapés para eu saber que tu me ouves. Ainda nem te conheço e já gosto de ti.
Bjs
Maria João (provavelmente para ti serei também apenas Maria)
"Apenas a pessoa que corre riscos é livre!"
"Rir é correr risco de parecer tolo. Chorar é correr o risco de parecer sentimental. Estender a mão é correr o risco de se envolver. Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar o seu verdadeiro eu. Defender os seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de decepcionar-se. Tentar é correr o risco de fracassar. Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada. Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada. Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem. Acorrentadas pelas suas atitudes, viram escravas, privam-se da sua liberdade. Apenas a pessoa que corre riscos é livre!"
SENECA
SENECA
17 de junho de 2007
Procuro....quero....
Procuro/quero alguém compatível, um amor inteligente, capaz de partilhar emoções e amor, com personalidade flexível e ajustável.
Procuro/quero alguém que pode não perceber nada de mulheres mas que queira com toda a força do mundo entender uma e aceitá-la tal como é e mudá-la no essencial.
Procuro/quero alguém que goste das minhas qualidades e entenda os meus defeitos.
Procuro/quero alguém que me faça rir,rir, rir, alguém que me acorde todos os dias com um beijo nos lábios e me faça sorrir dos disparates.
Quero um amor para toda a vida.
Procuro/quero conhecer alguém com quem sinta uma empatia e uma química forte,selvagem,brutal.
Procuro/quero alguém cúmplice, meigo e forte.
Procuro/quero alguém que , com um abraço , me proteja e me defenda de todos os males do Mundo.
Procuro/quero alguém culto,sensível e que queira descobrir todas as coisas da vida comigo.
Procuro/quero alguém que preencha bocados de mim incompletos.
Não sei se encontrarei alguém a quem pertença para toda a vida. Sei apenas que o desejo. Pateticamente.
"Women are meant to be loved, not to be understood.", já dizia o Oscar Wilde.
Procuro/quero alguém que pode não perceber nada de mulheres mas que queira com toda a força do mundo entender uma e aceitá-la tal como é e mudá-la no essencial.
Procuro/quero alguém que goste das minhas qualidades e entenda os meus defeitos.
Procuro/quero alguém que me faça rir,rir, rir, alguém que me acorde todos os dias com um beijo nos lábios e me faça sorrir dos disparates.
Quero um amor para toda a vida.
Procuro/quero conhecer alguém com quem sinta uma empatia e uma química forte,selvagem,brutal.
Procuro/quero alguém cúmplice, meigo e forte.
Procuro/quero alguém que , com um abraço , me proteja e me defenda de todos os males do Mundo.
Procuro/quero alguém culto,sensível e que queira descobrir todas as coisas da vida comigo.
Procuro/quero alguém que preencha bocados de mim incompletos.
Não sei se encontrarei alguém a quem pertença para toda a vida. Sei apenas que o desejo. Pateticamente.
"Women are meant to be loved, not to be understood.", já dizia o Oscar Wilde.
Infância no campo
Recordo muitas vezes as minhs férias de verão "na terra". Hoje estava a falar com a minha avó sobre esses tempos. Detestava ir passar férias à terra. Não conhecia ninguém. Ajudava a avó nas tarefas do campo e trabalhava-se à séria mesmo para uma criança. Refugiava-me nas minhas leituras debaixo da figueira ou na sombra de uns pinheiros, ou mesmo sentada no pequeno muro de pedra junto ao poço. Detestava o calor forte e o pó que se entranhava. Mas adorava as sementeiras e as vindimas em que as mulheres levavam as panelas e os pratos para o campo e comiamos ali todos nos campos. Gostava de ir para uma mata distante onde a minha avó apanhava pico e levar o lanche para fazer piquenique num pequenino cesto de verga e sentar-me numa cova junto de um castanheiro a lanchar. Gostava de calçar as botas de borracha dos grandes e ir regar os campos com a minha avó e a minha pequenina sachola e pedir-lhe para cortar ou abrir os regos que faziam a àgua circular. Queria ser eu a abrir a poça da rega que tinha um trapo colocado num buraco para impedir a àgua de sair. Gostava de apanhar medronhos. Comia num pequeno banco de madeira na varanda com vista para a aldeia e montes. Não tinha àgua quente. Não tinha os meus brinquedos. Só levava os meus livros. Subia e descia aquelas encostas inúmeras vezes ao dia. Ia buscar àgua à fonte num jarro. Cortava uvas das videiras e comia figos das figueiras. Colhia amoras silvestres e marmelos. Faziam-se bôlas, cozia-se pão e acendia-se o forno de lenha. Comia sardinha com broa. Detestei essas férias. Quando regressava à escola não tinha histórias das férias no algarve, das piscinas, dos passeios e das compras, tinha apenas tarefas campestres, leituras e brincadeiras na terra. Recordo agora a beleza daqueles entardeceres, daqueles rostos tristes mas afáveis, das portas sempre abertas, da simplicidade da gente, da religiosidade e dos ritmos. Tudo se está a perder. A aldeia e a vida na aldeia não é a mesma. Mas ensinou-me muito.
15 de junho de 2007
O beijo de cada signo - o beijo das pessoas de Peixes
Como é o beijo das pessoas de peixes ?
"Hã??? Não se espante se ouvir isto da boca de um(a) peixes ao propor-lhe um beijo. Portanto, faça a coisa certa: decida por ela, ou vocês vão ficar a contar estrelas a noite inteira. Não facilite para estes distraídos, porque os peixes são tão escorregadios e indiferentes, que é melhor roubar um beijo e levar um estalo do que contar com a iniciativa deles. Enquanto aqueles olhinhos assustados e incrédulos olham as estrelas, dê um beijinho como quem não quer nada, e ganhe em troca o beijo típico de peixes: ele é como você quer. E espere que a sua boca diga como quer o beijo, e se molde a si, por compaixão ou interesse mesmo. Aproveite esta doçura toda, mas tenha delicadeza: eles moldam-se ao seu jeito de conduzir o beijo, mas certamente não ficarão cativos de um beijo que transmita algo que não tenha poesia e romantismo."
LOL!Está tudo explicado!A culpa é do signo!!
Sei que estas coisas não são para ser levadas a sério , mas não pude deixar de rir ao ler isto.
"Hã??? Não se espante se ouvir isto da boca de um(a) peixes ao propor-lhe um beijo. Portanto, faça a coisa certa: decida por ela, ou vocês vão ficar a contar estrelas a noite inteira. Não facilite para estes distraídos, porque os peixes são tão escorregadios e indiferentes, que é melhor roubar um beijo e levar um estalo do que contar com a iniciativa deles. Enquanto aqueles olhinhos assustados e incrédulos olham as estrelas, dê um beijinho como quem não quer nada, e ganhe em troca o beijo típico de peixes: ele é como você quer. E espere que a sua boca diga como quer o beijo, e se molde a si, por compaixão ou interesse mesmo. Aproveite esta doçura toda, mas tenha delicadeza: eles moldam-se ao seu jeito de conduzir o beijo, mas certamente não ficarão cativos de um beijo que transmita algo que não tenha poesia e romantismo."
LOL!Está tudo explicado!A culpa é do signo!!
Sei que estas coisas não são para ser levadas a sério , mas não pude deixar de rir ao ler isto.
11 de junho de 2007
Sardinhas
Está tudo a pensar que título estúpido para um post!Sardinhas?Que se pode dizer sobre sardinhas?Pouco, é verdade!Mas nesta altura eu é impossível não falar em sardinhas. Aproximam-se os Santos Populares, chega o calor (este ano está um pouco atrasado) e as tardes quentes de sardinhadas no terraço. Adoro sardinhas!Conseguia comer sardinhas todos os dias!Todos os fins-de-semana anseio pela ida à praça e pela escolha de boa sardinha. Acompanhada de uma boa taça de salada de alface, outra de tomate com cebola e outra de pimentos assados!Imprescindível acompanhar com broa de milho bem estaladiça!É nestas pequenas coisas que sou tuga a valer!Quando pego na minha fatia de broa coloco por cima a sardinha desfiada e sem espinhas com algumas fatias de pimento por cima.Deliciosa mistura de sabores! Sou uma fã assumida de sardinha!Para quando a confraria da sardinha?
Conversas aborrecidas
As minhas amigas queixam-se do trabalho de professoras. Chegar a casa e ter de pensar na aula que vão dar, nas fichas, nos testes, nas correcções, nas actividades, etc, etc. Na minha vida de administrativa o trabalho começa quando entro no escritório e termina quando saio do escritório. Chego a casa e o trabalho ficou lá.Elas são pedadogas, educam. Eu lido com a ignorância e com alguma mesquinhez e inveja. Conheço boas pessoas, é um facto. Mas se vos disser o tempo que perco com lamentos egoístas de quem não observa o mundo e a realidade à sua volta, vidas desinteressantes, comentários mesquinhos e conversas aborrecidas....só para terem um pequeno exemplo eu ouço coisas como "Portugal é um país de terceiro mundo", e não é uma metáfora. uma brincadeira, fala-se com aquele autoritarismo de quem tudo sabe. Fico claramente enervada e respondo que Portugal nem se aproxima de um país de terceiro mundo e que nem diga isso a brincar. Muito convicta do que diz responde que não sei o que digo. Refuto com dois ou três argumentos e a resposta é um sim, sim Mary John com ar de gozo. Faço um sorriso irónico e remato com um pedido de leitura de relatórios das Nações Unidas e Unicef. Tenho a certeza que esse dia acabou com mais uma noite no sofá a ver as novelas ou a ler a revista "Maria".
Só mesmo quem não me conhece...
Uma colega de trabalho pergunta-me: "Não queres ir ver o Ricky Martin?Só pela diversão!"Respondo a rir que não gosto de Ricky Martin e que com tanto concerto bom jamais gastaria dinheiro para ir ver o já mencionado senhor. Ela insiste:"Vai ser giro para reviver os tempos de juventude". Continuo a rir e digo que ele não fez parte da minha juventude. E de repente ouve-se este comentário sábio: "é por isto que eu gosto de todo o tipo de música". E está tudo dito. Elas ouvem todo o tipo de música. Restou-me rir interiormente.
6 de junho de 2007
Não fumo há 5 meses
Esta semana faz 5 meses que não fumo!
Boa Maria João!!!
Não fumo, não bebo, não f*...
Enfim...Haja saúde!:-)
MJ
Boa Maria João!!!
Não fumo, não bebo, não f*...
Enfim...Haja saúde!:-)
MJ
20 de maio de 2007
......
Depois de tudo, regressei à normalidade e fui ao concerto dos Blocparty. Não foi perfeito, o som estava mau, eles são demasiado "frios" em palco, mas o Coliseu quase cheio, aquelas músicas fantásticas, aquele ruído, aquelas luzes...concentro-me no público a bater palmas ritmadamente e a cantar...este momento é meu.
"autocentramento"
Leio nos gafanhotos que a Carol se sente muito autocentrada..recordo a conversa da Carol no café de cop's sobre alguém ser muito autocentrada...faço um comentário ao post dela dizendo que tenho saudades da estar autocentrada...por mais rídiculo que seja eu dizer isto, tenho saudades de mim...de não ser o pai, ou a mãe, ou a avó ou os tios ou todos...estou a ficar cada vez mais séria...
16 de maio de 2007
"Vais ter muita sorte no futuro"
Lembro-me muitas vezes desta frase da Cáti e quero acreditar. Com tanta pancada que a vida me dá continuo à espera que a sorte me atinja.Mas tenho esperança.
Regresso à normalidade
Regresso ao trabalho e à rotina. Sabe bem. Queixo-me sempre mas é bom voltar à rotina diária, sinal de que tudo corre bem. O carinho e a compreensão dos colegas. A resposta às perguntas. Alguma comoção.Às 17h ligam para o ir buscar. Coorro radiante. Mando mails e sms a contar a boa nova. Ainda demoro.Ele está ansioso por sair. Regressa a casa. Quer ver tudo. Telefona para toda a gente. Está bem, mas não é o mesmo. Há ligeiras hesitações e incorrecções. Agora é descansar e recuperar.
14 de maio de 2007
Renasce a esperança
Acordo da pior noite da minha vida. Olhos inchados. Cabeça pesada e com muitas dores. Levanto-me e sinto-me pesada e lenta. Não me apetece tomar banho, nem vestir, nem pentear. Não quero rotinas. Não me apetece. Estou enjoada e não quero comer. A minha mãe continua a chorar e a soluçar.Faltam-lhe as forças e a esperança mas nunca a coragem.
Entro no carro. Continuo sem conseguir ligar o rádio. A banda sonora é o silêncio ou as nossas palavras trocadas.
Já sabiamos que não podiamos entrar mas às 9h lá estávamos. Falas com a médica cardiologista. Choras. Mal te percebo. Faço a "tradução" e acrescento as coisas que esqueces ou não consegues pronunciar.Ela liga para as urgências e diz que nada pode fazer porque não é cardiologia mas que ele está um pouco melhor. Descemos para o ver meio escondidas porque não podemos estar ali. Não nos mostram obstáculos. Falamos com a enfermeira. Está a melhorar. Podem só dar um bj. Entramos. Ele ri, fala. Pede um bj. Está tudo a correr bem, digo-lhe. Tenho de sair. Até logo. Ele diz adeus com a mão. Lembro-me do arrumador dessa manhã que ao me indicar o lugar sem parquímetro diz-me que estou cheia de sorte. Eu respondo que bem preciso, a chorar. Ele lê-me os olhos. Deseja-me um "bom dia madame" e sorri.Diz que não preciso de lhe dar nada. Apetecia-me abraçá-lo e perguntar-lhe que faz ali. Aquela delicadeza derruba-me.Sem dúvida que estava cheia de sorte. O pai está melhor e essa é a minha sorte. O meu dia renasce de uma tristeza e dor que não consigo relatar por palavras. A minha sorte muda ali. Penso. Acredito. Um dia de cada vez. No regresso o arrumador pergunta se já me vou embora. Digo que sim já a sorrir e ele diz-me "eu não lhe disse que estava com sorte?". Sorrio e agradeço. "Um bom dia madame". Penso novamente no que faz ele ali.
Deixo a mãe em casa digo-lhe para dormir e descansar. Vou a Lisboa levantar o B.I dela que caducou. Vou no comboio a mandar sms. Ligam-me. Saio no C.Sodré e vou a pé para os Restauradores sempre a falar ao telemóvel. Chego. A mãe não assinou o documento para eu levantar o B.I. Ligo-lhe. Diz para assinar por ela. LOL!Falsifico a assinatura e consigo levantar o B.I. Regresso novamente a pé. Liga-me a mulher do meu director que é enfermeira. Encoraja-me. Nunca pensei que ligasse.Assim vale a pena. Sinto o calor do sol e a brisa fresca que sopra. As pessoas passam. Ninguém se vê. Na montra da livraria vejo a capa de um livro com o título "Smile". Comovo-me. Interpreto tudo como sinais. Ao fim destes dias queria tanto estar sozinha. Sentir-me assim sozinha e conseguir respirar e pensar. Espero que as horas passem rápido para o ver. Chego a casa. Continuo sem conseguir comer. Tenho de ir com a mãe ao centro de saúde para a médica de família ver as análises dela. Vamos buscar os meus tios à estação e vamos para o Hospital. Chega o Filipe. A mãe quer que eles entrem primeiro. Digo que não. Não quero que aconteça o mesmo que ontem. Entras tu primeiro e vês como está. Ficamos ansiosos e nervosos à espera que ela saia, à espera de lhe ler no rosto a resposta à nossa angústia. Cruzo as mãos e tenho pena de não ter fé. Ela sai a sorrir e a chorar. Não consigo falar. Pergunto se está OK com a mão. Diz que sim. Está a falar e a fazer perguntas.Disse que eles são maus porque lhe prenderam as mãos e os pés e o magoaram. "Estes cabrões são maus", diz. Rio e respiro fundo. Eles entram e saiem todos satisfeitos. Eu sou a última. Ele está bem. Fala, faz perguntas, diz o que almoçou e lanchou, pergunta pelos tios, diz o código do MB e faz queixinhas dos enfermeiros. Fala com o lado esquerdo um pouco afectado e a barba destes dias por fazer.Fala na tia com raiva e digo que não quero falar mais nesse assunto. Assunto encerrado, pensa em ti e não te enerves.Mudo o rumo da conversa. Fico ali até á última. Saio e digo à mãe: "estás a ver?"temos de pensar positivo". A Eliana vai ter ao hospital para lhe dar os óculos e cadernos que ficaram no meu carro na sexta. Digo-lhe: "vês o meu sorriso?"Ela abraça-me forte, forte e diz que fica muito contente. Digo:"Pensei tanto no que me disseste..fechei tantas vezes os olhos e imaginei-o a sair do hospital pelos pés dele."Ela diz:"ainda bem, ainda bem que te conseguimos ajudar".Ela vai embora e eu desço a rampa a correr. Eles foram embora. A mãe aguarda para falar com a médica. Atendo mais uns telefonemas. A médica chega e vou para ao pé delas para ouvir. Está estável. Ainda fica mais 24h em observação no S.O. É melhor. Ainda é cedo para avaliar. Temos de aguardar mas está tudo a correr bem. Saímos com esperança. Digo à mãe que tenho fome. Apetece-me cereais de chocolate. Vamos para casa. Ligo pela primeira vez o computador. Apetece-me escrever.Há movimento na cozinha pela primeira vez desde estes dias. O telefone toca e já não há choro na resposta à chamada. "Ele está melhor", é a resposta. A mãe deita-se cedo. Adormece e dorme profundamente. Eu escrevo, escrevo. Há silêncio em casa. Não se ouve choros, nem soluçar, nem desespero.Deito-me tarde na cama deles. A mãe quase não me sente deitar.Renasce a esperança.Eu estou feliz. Nada mais me importa.
Entro no carro. Continuo sem conseguir ligar o rádio. A banda sonora é o silêncio ou as nossas palavras trocadas.
Já sabiamos que não podiamos entrar mas às 9h lá estávamos. Falas com a médica cardiologista. Choras. Mal te percebo. Faço a "tradução" e acrescento as coisas que esqueces ou não consegues pronunciar.Ela liga para as urgências e diz que nada pode fazer porque não é cardiologia mas que ele está um pouco melhor. Descemos para o ver meio escondidas porque não podemos estar ali. Não nos mostram obstáculos. Falamos com a enfermeira. Está a melhorar. Podem só dar um bj. Entramos. Ele ri, fala. Pede um bj. Está tudo a correr bem, digo-lhe. Tenho de sair. Até logo. Ele diz adeus com a mão. Lembro-me do arrumador dessa manhã que ao me indicar o lugar sem parquímetro diz-me que estou cheia de sorte. Eu respondo que bem preciso, a chorar. Ele lê-me os olhos. Deseja-me um "bom dia madame" e sorri.Diz que não preciso de lhe dar nada. Apetecia-me abraçá-lo e perguntar-lhe que faz ali. Aquela delicadeza derruba-me.Sem dúvida que estava cheia de sorte. O pai está melhor e essa é a minha sorte. O meu dia renasce de uma tristeza e dor que não consigo relatar por palavras. A minha sorte muda ali. Penso. Acredito. Um dia de cada vez. No regresso o arrumador pergunta se já me vou embora. Digo que sim já a sorrir e ele diz-me "eu não lhe disse que estava com sorte?". Sorrio e agradeço. "Um bom dia madame". Penso novamente no que faz ele ali.
Deixo a mãe em casa digo-lhe para dormir e descansar. Vou a Lisboa levantar o B.I dela que caducou. Vou no comboio a mandar sms. Ligam-me. Saio no C.Sodré e vou a pé para os Restauradores sempre a falar ao telemóvel. Chego. A mãe não assinou o documento para eu levantar o B.I. Ligo-lhe. Diz para assinar por ela. LOL!Falsifico a assinatura e consigo levantar o B.I. Regresso novamente a pé. Liga-me a mulher do meu director que é enfermeira. Encoraja-me. Nunca pensei que ligasse.Assim vale a pena. Sinto o calor do sol e a brisa fresca que sopra. As pessoas passam. Ninguém se vê. Na montra da livraria vejo a capa de um livro com o título "Smile". Comovo-me. Interpreto tudo como sinais. Ao fim destes dias queria tanto estar sozinha. Sentir-me assim sozinha e conseguir respirar e pensar. Espero que as horas passem rápido para o ver. Chego a casa. Continuo sem conseguir comer. Tenho de ir com a mãe ao centro de saúde para a médica de família ver as análises dela. Vamos buscar os meus tios à estação e vamos para o Hospital. Chega o Filipe. A mãe quer que eles entrem primeiro. Digo que não. Não quero que aconteça o mesmo que ontem. Entras tu primeiro e vês como está. Ficamos ansiosos e nervosos à espera que ela saia, à espera de lhe ler no rosto a resposta à nossa angústia. Cruzo as mãos e tenho pena de não ter fé. Ela sai a sorrir e a chorar. Não consigo falar. Pergunto se está OK com a mão. Diz que sim. Está a falar e a fazer perguntas.Disse que eles são maus porque lhe prenderam as mãos e os pés e o magoaram. "Estes cabrões são maus", diz. Rio e respiro fundo. Eles entram e saiem todos satisfeitos. Eu sou a última. Ele está bem. Fala, faz perguntas, diz o que almoçou e lanchou, pergunta pelos tios, diz o código do MB e faz queixinhas dos enfermeiros. Fala com o lado esquerdo um pouco afectado e a barba destes dias por fazer.Fala na tia com raiva e digo que não quero falar mais nesse assunto. Assunto encerrado, pensa em ti e não te enerves.Mudo o rumo da conversa. Fico ali até á última. Saio e digo à mãe: "estás a ver?"temos de pensar positivo". A Eliana vai ter ao hospital para lhe dar os óculos e cadernos que ficaram no meu carro na sexta. Digo-lhe: "vês o meu sorriso?"Ela abraça-me forte, forte e diz que fica muito contente. Digo:"Pensei tanto no que me disseste..fechei tantas vezes os olhos e imaginei-o a sair do hospital pelos pés dele."Ela diz:"ainda bem, ainda bem que te conseguimos ajudar".Ela vai embora e eu desço a rampa a correr. Eles foram embora. A mãe aguarda para falar com a médica. Atendo mais uns telefonemas. A médica chega e vou para ao pé delas para ouvir. Está estável. Ainda fica mais 24h em observação no S.O. É melhor. Ainda é cedo para avaliar. Temos de aguardar mas está tudo a correr bem. Saímos com esperança. Digo à mãe que tenho fome. Apetece-me cereais de chocolate. Vamos para casa. Ligo pela primeira vez o computador. Apetece-me escrever.Há movimento na cozinha pela primeira vez desde estes dias. O telefone toca e já não há choro na resposta à chamada. "Ele está melhor", é a resposta. A mãe deita-se cedo. Adormece e dorme profundamente. Eu escrevo, escrevo. Há silêncio em casa. Não se ouve choros, nem soluçar, nem desespero.Deito-me tarde na cama deles. A mãe quase não me sente deitar.Renasce a esperança.Eu estou feliz. Nada mais me importa.
O mundo desaba
O domingo começa complicado. Vamos buscar os tios. Discutiram e estão nervosos. A arteriosclerose do tio dá para isto. Acalmar a tia que chora e diz que não vai. Dar banho ao tio. Não sei como a mãe aguenta. Lá acalmo a tia, ajudo-a a vestir. A mãe ajuda o tio a tomar banho. Saímos já desgastados. Vamos para Fernão Ferro. Almoçamos. Vamos ver a avó e dizer-lhe que o pai está no hospital. Ela reza com as senhoras do lar. É 13 de Maio. Vamos para o hospital. Passamos em casa para ir buscar o meu carro. Chegamos. O Filipe entra primeiro com o tio. Sai pouco depois a chorar. Ele não fala. Ele está muito mal. Não abre os olhos. A mãe entra de rompante. Eu choro. Espero a minha vez. Pergunto ao Filipe. Digo que não pode ser.Ouço a voz da mãe. Entro. Acalmo-a. Está desesperada. Em pranto. Vou ver o pai. Não quero acreditar. Tem os braços e as pernas presos e apenas uma fralda. A cabeça tem um galo com uma nódoa negra na sobrancelha esquerda. Não fala nem abre os olhos. Respira apenas. Está inconsciente. Choro, choro muito e peço-lhe que me dê um sinal. Aperta-me a mão, dá-me um beijo, pisca os olhos. Nada. Mexe-se e entreabre os olhos reagindo a alguma dor, talvez. Ponho a mão no coração para o ver bater. O enfermeiro diz-me para ir lá fora enxugar as lágrimas e regressar. Não me quer ali assim.Digo que nem preciso de ir lá fora. Seco as lágrimas e toco outra vez o teu coração para o ouvir bater. Digo-te que vais ficar bom e penso no que a Eliana me disse e vejo-te a sair do hospital pelos teu pés. Promete-me que não me faltas agora. Fica bem e agarra-te à vida. Fica comigo. Fica connosco. A tia entra. Chora. Dá-te um beijo e sai. Fico ali a fazer-te festas na cabeça. Saio a chorar. A mãe pergunta o que aconteceu. Não te deixou assim. Faz perguntas. Chora. Grita. Acalmam-na. Fala como se não fosses voltar. Digo-lhe que não. Tem de ser positiva e acreditar. O Filipe sai e vai levar os tios a casa. Ficamos à espera da médica que diz que percebe mas temos de nos acalmar. Explica que é um AVC, que tem sedativos fracos, que estava agitado, que está vigiado. Que pode melhorar ou piorar.Que o tac falava na fala e cabeça. O neurocirurgião avaliou. Saimos de rastos. Eu a fazer força por acreditar, ela a chorar, derrotada e sem crença como se tivesses o destino traçado. Esta tarde e noite não consigo descrever. Não quero sequer lembrar. A dor, o desespero, a ansiedade. A mãe a chorar a noite toda, a vomitar, a dizer que era a companhia dela, que estavas bem, que eras bom. Eu a dizer para não pensar assim, que vimos a tia também insconsciente e hoje ela aqui estava bem, que podia ser dos sedativos, que tinhas de ser positiva para atrair energias positivas, que tinhamos de acreditar e ter esperança. Mãe não me arranjes tu agora alguma coisa. Tens de comer e dormir. Não estás a ajudar o pai, nem a ti, nem a nós. Já tinha tido a noite longa da operação ao coração, tive mais esta noite interminável, nunca mais acabava. Os meus olhos inchados, enjoada, preocupada. Cansada.Sem forças. Sem forças mesmo. Como será a minha vida daqui para a frente?Que irá acontecer?Acordo. Mais um dia. Tenho esperança e tenho tanto medo do que posso hoje enfrentar....
Novamente a dor
A estrada parece interminável. A gasolina no limite. Páro na bomba para pôr gasolina. Vou devagar. Os olhos cegos de lágrimas. As pernas tremem. Muita polícia na estrada. Só peço que não me mandem parar. Consigo chegar. Corro para o hospital. É 1h da manhã. O meu irmão e mãe têm os olhos inchados de chorar. Peço desculpa por não estar lá. O telemóvel estava na mala e no silêncio. Não me querem deixar entrar, são intransigentes e não respeitam as minhas lágrimas. Não quero confusão. Nem consigo. Surge uma médica e peço. Diz-me para entrar. Só um beijinho. Passo a mensagem ao segurança, vitoriosa. Entro. O pai dorme. Beijo-o e ele acorda.O pai pergunta: "Então,Estás cá?"Diz qualquer coisa que não percebo. Aceno com a cabeça mesmo não tendo percebido nada. Ele diz: "Estás a ver?não consigo.."Eu digo que precisas de descansar. Só vim para desejar boa noite e dizer que vais ficar bom. Promete-me que ficas calmo. Ele diz que sim. Saio. Digo-lhes que acho que ele está bem. Reconheceu-me, parece lúcido. Teve só uma pequena falha na fala. Vamos para casa. Ninguém consegue dormir. Culpabilizamos algumas coisas e perguntamo-nos porque nunca conseguimos estar bem. As coisas acalmam e pioram logo de seguida.
No sábado ligam-nos. O pai vai para S. Francisco Xavier para fazer um TAC, porque em Cascais não fazem. A mãe quer ir. Nós dizemos que não porque só vai fazer exames e não nos deixam ver. Ela diz que o podemos ver a sair ou a entrar na ambulância. Eu digo que não, que não vale a pena. Mas vou com ela.Chegamos. Perguntamos e aguardamos. A mãe consegue entrar. Chama-me. Viu-o e ele viu-a e chamou por ela. O enfermeiro disse que não pode estar ali mas que já o põe a falar com ela. Aguardamos à porta. Espreitamos. Ele fala connosco. Quase grita e eu rio e faço sinal com a mão para se calar.Cruza as mãos atrás da cabeça, levanta a cabeça e continua a falar.Pergunta pelo Filipe. Pelo canalizador que devia ir hoje lá a casa. Estica os braços e roda-os para mostrar que está bem. Diz que tem fome. Que se vai embora e vai fugir. Eu rio. Ele está bem. Move-se, fala e reconhece-nos. Brinca. A tarde toda à espera. Estou cansada. Tão cansada. Espero. A mãe espera. Mando sms e ligo ao Filipe. Vejo os doentes à minha volta. Vejo a dor de alguns familiares. Sinto-me acompanhada na dor. O atendimento médico e dos enfermeiros é fantástico. Admiro aquela gente. O médico fala connosco. Diz que há falta de representação cognitiva e falhas na fala. Ligeiras. Volta para Cascais porque não é grave. A mãe pede para ficar lá porque o acompanhamento é muito melhor. O médico diz que se fosse grave ficava. Mas não é. Regressa para Cascais para observação apenas. Regressamos a Cascais para o ver chegar na ambulância. Chegamos antes dele e esperamos. Quando chega entramos com ele. Fica contente por nos ver. A Bombeira que o acompanha diz-me que tenho um pai muito criativo.Pergunta-lhe se me pode contar. Ele diz que sim. Ela conta que vinha outra doente com ele. Quando pararam para deixar a doente, o meu pai muito aflito e não tendo nada para fazer xixi, encontra uma luva(daquelas cirúrgicas), faz xixi para a luva e quando os bombeiros chega ele está com a luva na mão para deitarem no lixo. Rimos. Só ele!Não podemos estar ali, despedimo-nos e saimos. Vamos relativamente serenos.
No sábado ligam-nos. O pai vai para S. Francisco Xavier para fazer um TAC, porque em Cascais não fazem. A mãe quer ir. Nós dizemos que não porque só vai fazer exames e não nos deixam ver. Ela diz que o podemos ver a sair ou a entrar na ambulância. Eu digo que não, que não vale a pena. Mas vou com ela.Chegamos. Perguntamos e aguardamos. A mãe consegue entrar. Chama-me. Viu-o e ele viu-a e chamou por ela. O enfermeiro disse que não pode estar ali mas que já o põe a falar com ela. Aguardamos à porta. Espreitamos. Ele fala connosco. Quase grita e eu rio e faço sinal com a mão para se calar.Cruza as mãos atrás da cabeça, levanta a cabeça e continua a falar.Pergunta pelo Filipe. Pelo canalizador que devia ir hoje lá a casa. Estica os braços e roda-os para mostrar que está bem. Diz que tem fome. Que se vai embora e vai fugir. Eu rio. Ele está bem. Move-se, fala e reconhece-nos. Brinca. A tarde toda à espera. Estou cansada. Tão cansada. Espero. A mãe espera. Mando sms e ligo ao Filipe. Vejo os doentes à minha volta. Vejo a dor de alguns familiares. Sinto-me acompanhada na dor. O atendimento médico e dos enfermeiros é fantástico. Admiro aquela gente. O médico fala connosco. Diz que há falta de representação cognitiva e falhas na fala. Ligeiras. Volta para Cascais porque não é grave. A mãe pede para ficar lá porque o acompanhamento é muito melhor. O médico diz que se fosse grave ficava. Mas não é. Regressa para Cascais para observação apenas. Regressamos a Cascais para o ver chegar na ambulância. Chegamos antes dele e esperamos. Quando chega entramos com ele. Fica contente por nos ver. A Bombeira que o acompanha diz-me que tenho um pai muito criativo.Pergunta-lhe se me pode contar. Ele diz que sim. Ela conta que vinha outra doente com ele. Quando pararam para deixar a doente, o meu pai muito aflito e não tendo nada para fazer xixi, encontra uma luva(daquelas cirúrgicas), faz xixi para a luva e quando os bombeiros chega ele está com a luva na mão para deitarem no lixo. Rimos. Só ele!Não podemos estar ali, despedimo-nos e saimos. Vamos relativamente serenos.
A notícia inesperada
Passaram poucos dias..parece que já foi há tanto tempo porque o sofrimento foi tanto...
Sexta-feira à noite o jantar tão adiado com as minhas amigas do curso acontece. Eu estou bem, nós estamos bem, risos e gargalhadas ouvem-se entre nós. Jantamos num tasco divertido e castiço com empregados embriagados que não tiram os olhos de nós. A conversa flui divertida, o caso da Sílvia com o João, os affaires da Eli, fala-se de sexo, brincamos e rimos. O João chega. Diz-me que vai ser segurança no concerto do George Michael. Digo-lhe que curiosamente nessa manhã ganhei dois bilhetes para o concerto e que vou no dia seguinte para Coimbra. Peço-lhe o número de telemóvel. O telemóvel não está em cima da mesa. Eles pedem mais uma rodada de imperiais. Procuro o telemóvel na mala. O telemóvel tem 37 chamadas não atendidas do meu irmão. Sinto um aperto no coração. A Sílvia abraça-se a mim e agarra-me o braço já meio tocada pelo alcóol e diz "eu estou aqui". Digo-lhe para me largar porque aconteceu alguma coisa. Uma mensagem do meu irmão. "Liga com urgência para mim ou para a mãe". Ligo. O pai está no hospital de Cascais. Uma embolia.Gelo. O mundo desaba sobre mim.Regresso à mesa. As pernas tremem. Deixo dinheiro para pagar o jantar. Dão-me trocos para o parque. Recuso a oferta de me acompanharem. Confirmo que dou notícias. Tremo, tremo, parece que vou cair.Saio. As pernas andam sozinhas. As lágrimas correm. Trânsito e filas. Novamente a pergunta "porquê eu?porquê a mim?"
Sexta-feira à noite o jantar tão adiado com as minhas amigas do curso acontece. Eu estou bem, nós estamos bem, risos e gargalhadas ouvem-se entre nós. Jantamos num tasco divertido e castiço com empregados embriagados que não tiram os olhos de nós. A conversa flui divertida, o caso da Sílvia com o João, os affaires da Eli, fala-se de sexo, brincamos e rimos. O João chega. Diz-me que vai ser segurança no concerto do George Michael. Digo-lhe que curiosamente nessa manhã ganhei dois bilhetes para o concerto e que vou no dia seguinte para Coimbra. Peço-lhe o número de telemóvel. O telemóvel não está em cima da mesa. Eles pedem mais uma rodada de imperiais. Procuro o telemóvel na mala. O telemóvel tem 37 chamadas não atendidas do meu irmão. Sinto um aperto no coração. A Sílvia abraça-se a mim e agarra-me o braço já meio tocada pelo alcóol e diz "eu estou aqui". Digo-lhe para me largar porque aconteceu alguma coisa. Uma mensagem do meu irmão. "Liga com urgência para mim ou para a mãe". Ligo. O pai está no hospital de Cascais. Uma embolia.Gelo. O mundo desaba sobre mim.Regresso à mesa. As pernas tremem. Deixo dinheiro para pagar o jantar. Dão-me trocos para o parque. Recuso a oferta de me acompanharem. Confirmo que dou notícias. Tremo, tremo, parece que vou cair.Saio. As pernas andam sozinhas. As lágrimas correm. Trânsito e filas. Novamente a pergunta "porquê eu?porquê a mim?"
8 de maio de 2007
Movida
Hoje trabalhar em casa, amanhã café de cops, na quinta Teatro ("A Dúvida" no Maria Matos), sexta jantar com a Sílvia e Eliana...sempre sem parar...
7 de maio de 2007
Manhãs de Primavera
Começam as manhãs primaveris...aquela luz matinal inspiradora e única...aquela brisa que causa um ligeiro arrepio e que sabe bem...o sol que de tão alto cega e que começa a aquecer-nos....gosto de sentir esta luz, este fresco, este cheiro que só acontece ali e que me desperta e inspira. É verdade. Gosto de manhãs.Sobretudo das manhãs da Primavera.
Confidências
Às vezes penso que imagem passo eu às pessoas que não me conhecem bem.Desde olhos meigos a olhar fiável, a ter ar de boa pessoa, já ouvi de tudo sobre mim. Teorias daqueles com quem não privo e a quem não me dou de corpo e alma mas que confiam em mim. O que faz com que estranhe a situação que me aconteceu há uns dias. Um colega de faculdade disse que queria falar comigo. Eu já sabia do que se tratava porque uma colega da Pós-graduação que se tornou uma grande amiga já me tinha confidenciado que se passava algo entre eles. Também ela confiou em mim e desabafou comigo. Mas o João com quem falo e digo umas piadas no intervalo das aulas veio falar comigo. Desabafou sobre os beijos trocados com a Sílvia, da traição à namorada, falou de si...confiou em mim sem sequer saber se podia confiar. Pediu-me respostas, pediu-me opinião. Disse que só dependia dele, que as respostas dependem dele. Eu não sei dar conselhos, só sei ouvir. E parece-me que tenho bons ouvidos. E que confiam em mim....vá-se lá perceber porquê.....
4 de maio de 2007
Vidas
Diz a Carol: "vidas". Pois é. Vidas. Todas diferentes. Todas com as suas particularidades. Todas a precisar de mudança. Todas a precisar de um olhar e observação atentas. Vidas.
A gravidez da nossa tella
A nossa amizade é aquela amizade...aquela irmandade...sinto as tristezas e alegrias delas como minhas...sinto-as próximas de mim...não sei explicar...falam-me dos amigos, mas dos amigos dos copos, das noites, das quecas, dos momentos de diversão. A nossa amizade vive do saber que estás ali, que estás bem, que estás mal e perguntas porquê e dás força e perguntas como correu e correu bem e sorrimos e vibramos. E vivemos muito a vida umas das outras, A Tella está grávida e após a alegria da notícia veio o cuidado e a esperança de que tudo ia correr bem e de que aquele bébé se ia agarrar à vida. E agarrou-se!E agora ela já vive a maternidade e escreve nos devaneios e nós lemos e comentamos e é vivida assim em partilha. Não sei se isto parece demasiado exagerado, mas é como se o bébé fosse nosso também e é e será sempre porque o acompanhamos desde o início. Vamos acompanhar-vos dia a dia. A próxima fase será saber o sexo e segundo as previsões teremos mais um sobrinho rapaz. Depois será o primeiro bater de coração, a primeira imagem e vê-lo ali pequenino e já tão cheio de vida. Vou chorar como quando vi e ouvi pela primeira vez o Martim. E é isto. Surge a nova geração, vinda de nós, a nossa herança....
A Carol diz-me no msn que partilha com ele o prazer em jogar ténis e eu digo-lhe que desconhecia esse gosto dela. Já perdi a conta aos anos que a conheço e é estranho desconhecer-lhe esse gosto...pensamos que conhecemos tudo acerca daqueles que fazem parte da nossa vida e ainda há tanto por explorar...
3 de maio de 2007
Maldade
Perguntas como são possíveis estes requintes de malvadez, estes cortes de laços, este ódio que cega as pessoas. Consolas-te pos saberes que és diferente. Mas ficas com aquele amargo, com aquele ódio e desejas ainda pior, o que significa que talvez sejas ainda mais maléfica. Odeio o ódio e abomino a maldade.
.....
"Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum "
Ruy Belo
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum "
Ruy Belo
Praga
Adorei esta semana na Repúbica Checa! Gostei imenso! Não consigo escrever uma linha sobre ela. Está ainda tudo tão vivo em mim.....
2 de maio de 2007
BLOGS
Estive de férias em Praga durante uma semana e quando consegui ir à Internet no Hostel fui logo ver os blogs para saber o que se passava com elas. Gosto deste universo dos Blogs que me permite aceder facilmente ao universo daqueles que me são próximos e de quem necessito saber notícias. Agora que cheguei a casa e que já li e comentei os blogs, sei que estão bem, que a gravidez da Tella está bem e que a Carol continua com as suas interrogações sobre o seu mundo e que alguns dos posts não me são muito claros porque não sei com que os hei-de relacionar porque não tenho falado com ela. Mas permite lê-las...leio-lhes alguma da vida através de uma simples página na Internet...
Bonança
Bonança...a bonança chega...a tia melhorou e regressou hoje a casa com o tio. Os meus pais regressaram hoje de Fernão Ferro após uma ausência de 1 mês e muitos dias. A avó está no lar e está bem. Eu regressei hoje das minhas férias em Praga. Depois de tantos acontecimentos regressamos todas a casa.
15 de abril de 2007
Limites II
Saio de Fernão Ferro para a visita da tia. Tenho um trabalho para entregar amanhã. Não escrevi uma linha. Não vou entregar. Entrego só lá para quarta. Não quero saber. Não quero mesmo saber. Ele que me penalize na avaliação. Não tenho cabeça. Chego ao hospital e lembro-me que me esqueci do portátil do trabalho em Fernão Ferro. Fico furiosa e chateada porque tenho de voltar atrás. Desato a chorar na enfermaria. Estou cansada. Tudo me acontece e agora mais isto. Digo à tia que não quero falar na avó. Não consigo. A mãe diz para não chorar porque lhes digo para não chorarem nem se preocuparem, para pensarem em soluções porque tudo se resolve e se ficam doentes não podem ajudar ninguém. Preocupem-se com a vossa saúde, o resto resolve-se.Na mesma pasta do portátil estão as fotocópias para o trabalho da faculdade. Saio do hospital mais cedo e regresso para ir buscar o portátil e as fotocópias. O sol está quente, muito quente. Regresso a casa. Visto o pijama e deito-me no sofá às escuras a ver as minhas séries. Quero esquecer. Quero deixar de sentir esta ansiedade e angústia. Terminam as séries e não consigo parar, não consigo sossegar. Preciso de um café, preciso de ver o mar. Os pés arrastam-se em passos lentos. Sinto um peso grande. A cabeça baixa olha para o chão, para os pés. O mar não ajuda. O café não melhora a dor de cabeça. Porque saí?Não quero ouvir as pessoas. Quero ir para casa. Quero sentir-me só. O trabalho vai ficar por fazer. Amanhã de manhã formação no Lagoas. Não me apetece ver ninguém. Não me apetece fazer nada. Não me apetece comer nada. Não me apetece falar.A mãe liga a perguntar se estou mais calma e se consegui fazer o trabalho. Digo-lhe que estou mais calma mas não consigo fazer o trabalho. Entrego depois, não faz mal.Despede-se a chorar e a dizer para eu ter paciência e ficar bem. Eu digo que sim, que está tudo bem e que vai tudo melhorar porque a tia vai sair do hospital e a avó está bem. Não se preocupem, nós ficamos bem. É só arranjar soluções e tudo se consegue. Não dramatizem, há coisas piores. Mas eu não consigo. Procupar-me com vocês consome-me, consome-me imenso! Porque tenho sempre de ser forte e de reagir e de vos chamar à razão e de falar alto e dizer que não podem pensar no pior?Mas eu não estou bem. Eu não estou nada bem. Não percebo que mais preciso eu de provar. Porque me colocam sempre à prova. Porque é que tem de estar tudo a correr de forma negativa e tudo ao mesmo tempo. Estou a ficar sem forças. Juro que estou a ficar sem forças.Quero ficar aqui deitada e enroscada sem pensar. Quero esgotar todos os meus neurónios e deixar de pensar. Quero ficar a olhar para o tecto aqui deitada.Quero estar só. Quero estar comigo. Está tudo bem contigo?Comigo?Sim, está tudo bem. Comigo está sempre tudo bem.
Limites
Sinto-me no limite..das forças, da sanidade mental, dos nervos, da ansiedade, da revolta. Estou no limite do que consigo suportar. A minha tia avó no hospital há um mês. Os meus pais em Fernão Ferro com o meu tio avô há um mês e em idas diárias a Santa Maria. A casa por minha conta. O trabalho. As aulas. A preocupação com com os meus pais. A minha tia parte o braço. A minha prima liga-me a dizer que tenho de ir buscar a minha avó. Penso no que faço e no desespero da minha mãe que não vai aguentar mais uma preocupação, mais uma pessoa para cuidar. Penso nos nervos do meu pai e no seu coração fraco e doente. O meu irmão vai buscar a minha avó e eu venho das aulas para tratar dela. Dar-lhe de comer. Levá-la à casa-de-banho. Lavá-la, despi-la, deitá-la. Tudo em peso. Ela não anda sozinha. Apoia-se em nós e nos objectos que encontra pelo caminho. Deito-a e vou arrumar a cozinha, lavar o chão da cozinha e casa-de-banho e arrumar as coisas para amanhã ir para Fernão Ferro. Sábado acordo para a levar à casa-de-banho. Lavo-a, visto-a, penteio-a, dou-lhe o pequeno-almoço e sento-a no sofá. As minhas costas doem-me. Consigo ir almoçar com elas. O meu irmão leva-a para Fernão Ferro. Ouço as histórias de algumas delas e minimizo as minhas preocupações. Tudo se resolve. Pensar em soluções, recuperar forças. Chega a noite. Subo escadas com ela em peso. Tudo de novo. De manhã o mesmo e ela quase me faz cair pelas escadas. Não é possível. A minha mãe chora. Temos de a pôr num lar. Nós não conseguimos. Pensamo no lar muito bom em que esteve a minha tia. Muito caro. Muito caro mesmo. Mas tem de ser esse. Temos a certeza que será bem tratada. A minha avó chora. Quer ir para o lar onde ia para o centro de dia ou para o lar da terra dela. Eu digo-lhe que o lar do Penedo onde ela vai ao centro de dia está cheio. Ela está em lista de espera. Eu falo com a directora avó. E com o director do lar de Ferreirim. Eu prometo avó!Prometo que esta solução é temporária. Prometes-me fiha?Prometo avó! Esta minha neta sempre foi muito boazinha, Desde pequenina - dizes tu. Será avó, será que sou mesmo?Será que consigo cumprir a promessa que te fiz?
A minha mãe está debilitada e preocupada e no limite. O meu pai teve dor cardíaca, algo que não acontece há muito tempo.A minha mãe preocupa-se com o meu pai, o meu pai preocupa-se com a minha mãe, eu preocupo-me com os dois.
O dia acorda solarengo e brilhante. Tu choras e nós dizemos que vais ficar bem. A mãe chora, o pai chora. Deixamos-te. O lar é bom, as pessoas simpáticas. Mas nos lares só estão pessoas que não conseguem viver. Estás rodeada de não vida.Queres ir ver a missa. Ficas sentada a viver a tua fé, nas tuas orações. Damos-te beijos e dizemos-te que ficas bem. Saímos em choro e em desespero. Falamos com a responsável dizendo que ela está habituada a muito mimo.Eles falam e eu choro. Regresso atrás para ver como estás. Não me vês. Estás concentrada nas tuas orações. Pareces serena. Fica bem avó. Vejo-te para a semana, como todas as semanas. Sinto-me doente. sinto-me culpada.
A minha mãe está debilitada e preocupada e no limite. O meu pai teve dor cardíaca, algo que não acontece há muito tempo.A minha mãe preocupa-se com o meu pai, o meu pai preocupa-se com a minha mãe, eu preocupo-me com os dois.
O dia acorda solarengo e brilhante. Tu choras e nós dizemos que vais ficar bem. A mãe chora, o pai chora. Deixamos-te. O lar é bom, as pessoas simpáticas. Mas nos lares só estão pessoas que não conseguem viver. Estás rodeada de não vida.Queres ir ver a missa. Ficas sentada a viver a tua fé, nas tuas orações. Damos-te beijos e dizemos-te que ficas bem. Saímos em choro e em desespero. Falamos com a responsável dizendo que ela está habituada a muito mimo.Eles falam e eu choro. Regresso atrás para ver como estás. Não me vês. Estás concentrada nas tuas orações. Pareces serena. Fica bem avó. Vejo-te para a semana, como todas as semanas. Sinto-me doente. sinto-me culpada.
14 de abril de 2007
Destino: PRAGA....Faltam 11 dias
Marisa Monte: O seu olhar
O seu olhar
seu olhar lá fora
o seu olhar no céu
o seu olhar demora
o seu olhar no meu
o seu olhar, o seu olhar melhora
melhora o meu
onde a brasa mora e devora o breu
como a chuva molha o que se escondeu
o seu olhar, o seu olhar melhora
melhora o meu
o seu olhar agora,
o seu olhar nasceu
o seu olhar me olha
o seu olhar é seu
o seu olhar, o seu olhar melhora
melhora o meu
Marisa Monte
seu olhar lá fora
o seu olhar no céu
o seu olhar demora
o seu olhar no meu
o seu olhar, o seu olhar melhora
melhora o meu
onde a brasa mora e devora o breu
como a chuva molha o que se escondeu
o seu olhar, o seu olhar melhora
melhora o meu
o seu olhar agora,
o seu olhar nasceu
o seu olhar me olha
o seu olhar é seu
o seu olhar, o seu olhar melhora
melhora o meu
Marisa Monte
Fim-de-semana dedicado ao trabalho de História do Livro
Este fim-de semana tenho de fazer o trabalho de História do Livro para entregar na segunda-feira...sim, para não variar faço os trabalhos sempre à última da hora!Deve ser por serem tão interessantes e estimulantes. Que me dizem a este tema:"Tipologia de edição - preliminar, privada, definitiva, genética, crítica. Definir diferenças de conceitos e de funcionalidade." ?Interessante, não é?Estou tão excitada com este trabalho ao qual me vou dedicar este fim-de-semana que nem consigo dormir!!GGGRRRRR!!Odeio este curso!!
Mas porque é que eu tentei concorrer uma segunda vez e entrei?PORQUÊ?
Mas porque é que eu tentei concorrer uma segunda vez e entrei?PORQUÊ?
13 de abril de 2007
A minha avó e eu
A minha tia partiu um braço e a minha velhina avó está comigo. Os meus pais estão em Fernão Ferro com o meu tio avô porque a minha tia avó está hospitalizada. Chego tarde das aulas. Ela pergunta preocupada se chego sempre a esta hora. Diz que devo andar muito cansada. Janto a minha sopa. Lavo a louça do dia. Varro a cozinha e limpo a casa-de-banho e lavo o chão de ambas as divisões. São 23h.A minha avó diz que tenho de descansar. Levo a minha avó à casa de banho e deito-a. Dou-lhe um beijo na cara e outro na testa. Ela dá-me muitos daqueles beijinhos pequeninos e muito seguidos que só ela sabe dar. A minha velhinha avó dorme. Sento-me aqui a escrever. Tudo me corre mal mas ainda tenho forças. Mais um dia....
Estudo sociológico Português
Na terça-feira, vendo mais um programa do estudo sociológico do Portugal Conteporâneo realizado pelo António Barreto em que se falava da vida dos subúrbio senti uma tristeza...falava-se das nossas vidas..de portugueses que acordam às 5h da manhã para se prepararem e prepararem os filhos para mais um dia. Deixam-nos nas escolas às 7h da manhã e apanham o comboio para Lisboa para virem trabalhar. Regressam tarde e apenas têm temp de dar o jantar aos filhos e de os deitar, seguindo-se a arrumação da casa, loiça, passar a ferro e preparação da roupa e dos lanches dos filhos para o dia seguinte. A hora de se deitarem é normalmente 1 h da manhã para voltarem a acordar às 5h. Outro exemplo era do de um casal que demorava diariamente 1 hora e meia para se deslocarem de Sintra a Lisboa. 15 horas semanais sentados num carro. 60 horas mensais sentados num carro.720 horas anuais dentro de um carro. Senti-me angustiada. É esta a vida que quero para mim?Esta corrida diária?Este não viver?Este perder inútil de tempo precioso?Este não partilhar?Viver para rotinas e correrias sem ter tempo para escutar, falar, pensar?Dou por mim a pensar na minha tia e na ruralidade da sua vida, o acordar sem horários, o cheiros e sons da natureza, o andar sem horas, sem trânsito, sem stress...Haverá verdadeiramente algum dinheiro que pague isto?
O que nos move realmente?
O que nos move realmente?
O teu aniversário
Ainda hoje, passados todos estes anos, não sei porque provocas em mim estes sentimentos...não sei porque te quero..porque é de querer que falo...
Hoje fizeste anos. Estou longe, mas quis o destino que aparecesses inesperadamente no elevador que eu ia apanhar no regresso do almoço e o meu coração disparasse quando te vi. Não te esperava ali. Não esperava que me pedisses um beijo de aniversário. Não esperava ver-te e por isso te enviei logo pela manhã um mail desejando-te os parabéns. Não esperava que me respondesses assim...
"Sim, pelo que és
os gestos, atitudes e sentimentos
te agradeço de forma profunda
NN"
E não posso esperar nada de ti...
Hoje fizeste anos. Estou longe, mas quis o destino que aparecesses inesperadamente no elevador que eu ia apanhar no regresso do almoço e o meu coração disparasse quando te vi. Não te esperava ali. Não esperava que me pedisses um beijo de aniversário. Não esperava ver-te e por isso te enviei logo pela manhã um mail desejando-te os parabéns. Não esperava que me respondesses assim...
"Sim, pelo que és
os gestos, atitudes e sentimentos
te agradeço de forma profunda
NN"
E não posso esperar nada de ti...
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"Quanto mais claro/
Vejo em mim, mais escuro é o que vejo./
Quanto mais compreendo/
Menos me sinto compreendido./
Ó horror paradoxal deste pensar... "
Fernando Pessoa
