Klimt

27 de junho de 2008

A minha prestação da casa aumentou!

Esperavas o quê, ó tótó?

"Saltar a tampa"

Ontem saltou-me a tampa no trabalho, se bem que saltar a tampa é talvez um pouco forte, já que em mim é tudo muito comedido. Digamos que senti os calores a subirem por mim acima.

Há pessoas que te enervam, vais acumulando, a coisa vai passando, mas chega um dia em que não dá. E foi ontem. Não me apetece falar na situação, porque não é fácil de explicar, e nem é dramática. Aliás, em abono da verdade é uma merda sem importância. Mas quando vês que alguém que não gosta de uma resposta tua, em que dizes verdades e vai buscar temas de trabalho, sem te questionar sobre os temas primeiro e em que de repente és posta em causa pelo chefe dessa pessoa ao teu chefe, aí meus amigos, pára tudo, porque a primária ficou bem lá atrás e tenho pouca paciência para queixinhas.
Mas cómico, cómico foi ver o meu chefe achar estranha a minha reacção, não está habituado a ver-me assim. Sobretudo por uma coisa tão sem importância. Uma colega minha vira-se e diz: "Bem João, nunca te vi assim!" e outra: Desabafa, que faz-te bem!" Lol! Houve silêncio à minha volta. A verdade é que ninguém me vê refilar, queixar, exaltar. Estou sempre na minha, faço o meu trabalho, não me chateio com o acessório. Mas ontem, ontem foi mais forte que eu. Não gosto de arrogâncias, falta de maturidade e actos de má fé.

26 de junho de 2008

Hoje é dia de ...

Magnetic Fields na Aula Magna


Se ainda não estão fartos de post's sobre a minha casa...

O edredon já tem capa.

Não é o desejado, nem o ideal, mas joga bem com o branco da cama e muito importante, foi barato.


E posso sempre alternar entre a frente e o verso, ou seja, é um "two in one".


E vá, ok, já chega de fotografias e de blá, blá, blá sobre a casa. Raios parta a miúda que não se cala com a conversa da casa!

"Billy"

A Billy está montada e pronta a ser enriquecida de livros.

Pormenor: se repararem na prateleira central, curiosamente a única que é fixa à estante e pregada atrás, ficou com a parte da madeira a ver-se, o que estraga um bocado a obra da artista, mas tenho quase a certeza que nas instruções os furos estavam do outro lado. Enfim, fica feio, mas já está encontrada a solução, vai levar uma bela camada de tinta branca. E quando montar a segunda estante vou tirar a limpo se as costas da prateleira também são em madeira ou não.


Hoje soube tão bem...

esta tarde, este fim de tarde, este entardecer. Nós as três.

Estar nesta esplanada.

Ver o pôr-do-sol daqui

Soube mesmo bem!

Lá por casa...

tem sido assim.

Com a fiel amiga aparafusadora! E que valor dou a esta amizade! Juntas para a vida!

Pai, não sei se ta devolvo. Ela diz que não quer sair cá de casa porque é muito bem tratada...

Um amontoado de caixas e de material pelo chão. Só de ver isto dá-me logo vontade de pegar nas instruções e nos martelos e pregos e começar a montar mobiliário! Estarei louca? Lol!


E pensava eu que não montava esta estante sozinha...Cá está ela. E só falta montar as portas!!



E por fim, o que foi adaptado a móvel de TV e a mesa de café.

As cadeiras não foram fotografadas, porque foram desmontadas e colocadas novamente nas caixas. A mesa nem saiu da caixa.
E por agora é tudo.

25 de junho de 2008

No trabalho...


O meu novo lugar, depois de novas mudanças. Não há monotonia naquela empresa! E eu que me habituo tanto ao meu espaço, custa-me sempre adaptar-me.

Ao princípio não gostei. Antes estava mais escondidinha, agora estou ali exposta, sem saber quem aparece por trás. Mas estou de frente para a janela, de frente para o mundo.


24 de junho de 2008

Las Kasas, Moviflor, AKI e IKEA na mesma tarde/noite!!

Estou podre! Pés e pernas cansados!!

Odeio não ter facilidade em escolher cadeiras e candeeiros! Estou cansada de ver as mesmas coisas nas mesmas lojas!! É tudo igual!!

E tenho de ir trocar a mesa e as cadeiras....decididamente não podem ser aquelas!

23 de junho de 2008

Acho que é mesmo isto!

"O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
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Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
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Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.
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Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
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O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
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O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar..
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende..

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.

E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso

Jantares

Já lá vai o tempo em que nos jantares de amigas se falava de noitadas e engates.


Agora há bébés em carrinhos e a gatinhar, fala-se de varizes e dos malefícios do leite (Lol! Esta é mesmo só para vocês!)


Mas falou-se de sexo e nos prazeres do sexo! E as coisas que descobrimos sobre estes prazeres!!LOL! Eu só vos digo estas coisas excitantes: dedo grande do pé, mulher sentada em bidé como a montar....enfim...muitas e muitas gargalhadas!!

Hoje é noite de S. JOÃO!

E eu, cansada de dormir pouco durante este fim-de-semana, estou aqui deitada no sofá a ver na televisão o S. João no Porto. A ver e ouvir nomes como Toy, Marante, Mónica Sintra, Roberto Leal, Ana Malhoa....querem que continue? Se calhar não...

Na minha cabeça estão refrões como: "eu vou cantar ser português/que sou o orgulho do meu país" ou então "Eu sei, eu sei essa linda portuguesa com quem eu quero casar/já corri mundo e não encontro outra igual com quem eu queira ficar", "Agora é que me maneio, é que me maneio, é que me rebolo/ a bailar com o meu amor, assim é que me consolo".
A poesia está no ar!E que belas sonoridades me embalarão o sono esta noite!

Viva a Música Popular e os cantores do meu país! Sobretudo os que cantam as músicas tradicionais com aquele sotaque brasileiro (referência clara a esse vulto da música, que é Roberto Leal!).

E viva os Santos Populares!

E tenho mesmo de ir ao S. João no Porto!!

21 de junho de 2008

Hoej é dia de...

Old Jerusalém no Maxime

20 de junho de 2008

Hoje é dia de...

Mais uma noite de fados no Castelo.

Hoje é a vez de Mafalda Arnauth & Ensemble Costa do Castelo.

E mais uma noite a olhar a cidade cá de cima...

19 de junho de 2008

Polaroid e Lomo

Queria uma Lomo e uma Polaroid.
Porquê? Porque basicamente estou pobre e quanto menos dinheiro temos, mais coisas queremos comprar.
Mas também porque gosto da maneira particular como estas duas máquinas registam imagens. Porque a fotografia fica diferente. Mais crua e real. E mais fiel ao nosso olhar. E eu gosto de olhares, fiéis, faladores, brilhantes. E gosto desta crueza não adulterada, muito "in your face" destas duas máquinas.
Mas como disse no início, estou pobre, e as prioridades são outras.
Polaroid Lomo



Independências

Fotografia de Annie Liebovitz

É assim que vou adormecer no meu sofá, nestas figuras esquisitas e meio abandonadas e desgrenhadas...

A imagem típica de quem vive sozinho e fica de qualquer maneira!

Mais uma hora de almoço de montagem IKEA

Hoje mais uma hora de almoço dedicada à Bricolage. Dia de montagem do móvel de TV e de mais umas nódoas negras e inchaço no pulso. Mas já tenho todas as ferramentas necessárias. É só daquelas pancadinhas para o encaixe final, para ficar tudo bem juntinho antes de aparafusar, porque se martelar, faço estragos na parte exterior e vísivel do móvel. Há quem diga que eu sou bruta e trapalhona. Eu acho que sou despachada, prática e vá, um bocado croma! :-)

Acho que estou a descobrir a minha verdadeira vocação. MJ,a montadora de móveis!! Já que não monto mais nada...(estou com umas piadas giras, estou!)

Amanhã vou começar a montar as estantes. Estou viciada..não consigo parar! Eh, eh!

Adeus Euro 2008..

Arrumar os cachecóis e as camisolas...

Regressar à normalidade, ao cinzentismo e aos problemas do dia a dia.

Estivémos quase, quase....estamos sempre quase, quase...


18 de junho de 2008

Hoje é dia de...

Shannon Wright no Santiago Alquimista





"ORESTÉIA – O CANTO DO BODE" a partir da trilogia de Ésquilo

Nem sei o que dizer desta peça que fui ver ontem. Estrondosa! Sublime! E mesmo assim será pouco. Do melhor que já vi nos últimos tempos! Uma companhia brasileira cheia de talento e completamente desconhecida para mim. Palácio da Independência, uma sala ao ar livre e uma aragem gelada. Movimento. Loucura. Agitação. Muito humor. Extraordinária adaptação. Extraordinária encenação e movimento em palco. Excelentes actores, daqueles que vivem e sentem o que representam! Lembram-me os Fura del Baus, apesar de ser um registo diferente!

Pena só estar em cena de 11 a 17 de Junho. Como é possível não promoverem uma peça tão boa?
E lendo-se uns posts abaixo, foi bom neste momento de serenidade, sentir um embate tão forte e poderoso!

Talento a rodos! Assim vale a pena sair de casa!

17 de junho de 2008

Jasmim

Ao falar com a Mary descobri um novo nome pelo qual me apaixonei, Jasmim.

A mulher do primo dela queria dar esse nome à filha.

Bonito, não é? Jasmim...

Uma Açucena, outra Jasmim...

Mas porquê?

Bonita, sensual,inteligente, carismática, interessante, boa actriz e ainda por cima com bom gosto musical? Esta menina até um álbum de versões do Tom Waits lançou agora!

Scarlett, porque não posso ser como tu?

E esta música do Jamie Lidell também me dá "ganas"!

Esta música que ouvem hoje e talvez por estes dias no blog também é daquelas músicas cheias de alegria e é impossível não cantarolar e sorrir porque amanhã,amanhã há sempre "another day, another way".

Bem kitsch e bem divertida!!E cheira a primavera! Dá vontade de abrir a janela do carro, sorrir às pessoas que passam e ao sol que brilha, sentir o vento que despenteia os cabelos e cantar, cantar, cantar!E se possível bater o pézinho e as palmas ao som de uma qualquer coreografia inventada por nós!!

Este anúncio da Super Bock dá-me "ganas" de viver!

Este anúncio da Super Bock tem aquela força de viver, cheira a Verão, loucura, diversão, dá vontade de saltar e pular e cantar, dá-me assim "ganas" de viver!

E até apetece uma super bock fresquinha!!!:-)

Muito bem conseguido!

Quando num blog se fala de uma aparafusadora eléctrica, está tudo dito sobre a vida dessa pessoa...

E mais não digo....

Viva a aparafusadora eléctrica!


Fui almoçar a casa e levo a minha aparafusadora eléctrica para deixar por lá para a montagem do amontoado de caixas que se acumulam pelo chão.
Depois de almoço tenho vontade de experimentar a maquineta cheia de bicos de vários tamanhos.Começo pela mesa de apoio.Depois de algum tempo a tentar aparafusar, verifico que tenho a maquineta no modo desaparafusar, o que é óptimo de verificar após ter estado 10 minutos dobrada, a fazer um pouco de pressão no sentido de forçar a entrada do parafuso, cheia de dores de costas e de pernas e já a começar a suar e a rogar pragas ao inventor do IKEA. Após este momento de autêntica palermice, coloco no modo correcto e em menos de um minuto o parafuso está no lugar. Yeah! É rápido e fácil! Cheia de motivação, prossigo e consigo montar a simples mesa de apoio na minha hora de almoço e em tempo recorde. E claro, esqueci-me novamente do martelo e utilizo o cabo da chave de fendas para dar umas valentes pancadas onde é necessário. E resultou! Toda contentinha lá coloquei a mesa no local e fiquei embevecida a olhar para ela. Está mesmo catita!
Super fã da aparafusadora eléctrica (e muito importante e que me esqueci de mencionar, sem fios, e isto faz toda a diferença!), não conseguia parar. Mas a hora de almoço estava a terminar e eram horas de regressar ao trabalho. Resolvo voltar ao fim da tarde.
Depois de mais um dia de trabalho e cheia de vontade de montar o mobiliário IKEA, ataco uma cadeira. Esta missão não foi tão fácil. O parafuso não descia completamente. Desaparafusa, volta a aparafusar e já estava a forçar demais. O resultado foi sair o encaixe do parafuso que estava colocado no tampo da cadeira e forçar tanto a entrada do parafuso que acabou por forçar o lado contrário e estalar ligeiramente o tampo. Agora vou tentar trocar e esperar que não seja evidente o que aconteceu. Mas é tão evidente que não vou conseguir....
Ainda consegui atacar as peças do móvel de TV, mas necessitava mesmo do martelo, porque a chave de fendas já não estava a resultar.
Amanhã, levar martelo e alicate e à hora de almoço aproveitar e prosseguir com o trabalho duro!

E viva a aparafusadora eléctrica!! Grande invenção!

Regresso ao trabalho

Depois de uma semana de férias, o regresso ao trabalho fez-se na passada segunda-feira, já muito distante daquela realidade, que esqueço rapidamente quando me ausento. Depois das mudanças no escritório,sento-me num novo lugar que ainda não sinto como meu, rodeada pelas mesmas pessoas, mas por olhares diferentes.

Suspiro, como sempre, na rotina dos dias, fazendo o mesmo de sempre, mecanicamente...

16 de junho de 2008

Ainda em relação ao post anterior...

Noite de fados no castelo. Preparo-me para sair um pouco mais cedo de casa para poder percorrer calmamente e respirar aquele entardecer e vista sobre a cidade. Estaciono o carro no Miradouro e repouso serenamente sobre a cidade. O sol esconde-se atrás do aglomerado de casas.O castelo convida-me. O Tejo sorri-me. A cidade fala comigo. É neste silêncio que me encontro. O vento sopra morno. Apetece-me repousar naquela brisa. Apenas isso. Repousar naquela brisa que me serena.

Ganhando vida, subo ao castelo para ouvir fado.

No sábado foi dia de...

Sem tempo para postar, no sábado foi dia de uma linda noite de fados no Castelo de S. Jorge com a Festa do fado, com a presença de Lula Pena e os convidados Custódio Castelo e Richard Galliano.

Lindo, lindo, com aquela suave brisa a soprar por entre as muralhas e a voz da Lula Pena a aquecer os presentes, como só ela e aquela sua timidez conseguem.

E como eu gosto da tristeza e do intimismo do fado... Uma noite de silêncio quente!

Correr para a casa. Lugar de abrigo. Esta coisa de não parar dá sempre nisto. Aborrecimento e recolhimento. Preciso do silêncio e de estar assim perdida comigo. Porque me sinto longe dos outros. Não triste, não deprimida, não desiludida. Apenas ausente. E quer-se essa ausência aqui no sofá. E luta-se contra ela. Indo. Caminhando. Fugindo ao recolhimento que chama por mim. Não sei as razões. É uma falta de tudo, que só aqueles que não sabem o que querem, ao que vão, o que sentem, quem são, só esses sabem o que sentem. Nem eu sei como explicar estes momentos. São apenas momentos. Mas nestes momentos apetece-me apenas estar assim, no meu sofá, no meu mundo.

Mas sigo, sigo, sigo, porque o mundo, esse não pára e não espera por mim.

11 de junho de 2008

10 de junho de 2008

Novidades lá da casa

Visita ao Ikea. Já há mesa e cadeiras. Já há móvel de entrada e mesa de centro. Já há um candeeiro de sala. Não foram as mobílias desejadas e idealizadas. Foram as acessíveis e que se adequavam ao espaço pequeno da casa. Mas a casa quer-se vivida e acolhedora. E para já tem de ser assim.

6 de junho de 2008

Hoje é dia de...


Rock in Rio


Eu também vou...mas triste,porque os Kaiser Chiefs e o Muse são das primeiras bandas a tocar e tocam tão pouco tempo...

5 de junho de 2008

Abordagem aos primeiros socorros

Vou ter um simulacro na empresa amanhã. E têm de existir equipas preparadas para estas situações. E quem faz parte dessas equipas? Moi même, claro! A MJ faz parte da equipa de socorristas.

Fomos todos escolhidos aleatoriamente e foi preciso termos formação. Claro que eu, portuguesinha como sou, começo logo a queixar-me e a dizer que perco um dia de trabalho e vou de férias para a semana e tenho coisas para terminar, e que não faz sentido e é uma perda de tempo e mais um rol de queixumes. A verdade é que o meu lamuriar se transformou rapidamente em interesse. Estive o dia todo em formação. Aprendi imenso, diverti-me e ri-me imenso, porque imaginam as figuras do nosso grupo. E acho que é muito importante, que todos deveriamos ter este curso de primeiros-socorros, e que estas formaçõe deveriam existir nas escolas, para desde tenra idade estarmos preparados para prestar os cuidados mínimos, porque em minutos podemos salvar vidas. Colocar a vítima em posição lateral de segurança, compressão torácica, respiração boca a boca, como tratar uma queimadura, um bloqueamento provocado por vómito, um sangramento, um corte, o que fazer em situação de trauma, de envenenamento, etc. são cuidados que têm de ser prstados nos primeiros minutos.

Foi um dia diferente e de aprendizagem. E com tanta história para contar, mas não me apetece. Estou cansada, porque aqueles exercícios custam comó caneco!

Tenho esperança neste senhor

4 de junho de 2008

Hoje sinto-me assim

Hoje é daqueles dias

Sabem aqueles dias em que chegam ao trabalho e engonham, engonham, pegam em não sei quantos papéis, andam de página em página, de mail em mail e não conseguem pegar em nada?

Pois é, hoje é desses dias.

3 de junho de 2008

E se eu me mudar para a semana?

Assim na loucura? Sem nada, sem saber se dá, se consigo. Só porque sim. Porque estou cheia de vontade. Porque não consigo pensar em mais nada. Porque não correr o risco? Tentar, sem pensar. Será que tenho coragem e arrisco?

Stop? Não! Play!

Li algures, peço desculpa mas não me recordo onde. Estou farta do "Stop" e do "Pause". Não encontro o "Play", mas vou no seu encalço.

Era algo assim.

Em memória da minha avó

Numa das muitas mensagens que recebi a confortar-me pelo falecimento da minha avó, e desde já o meu muito obrigada a todos, houve uma que gostava de destacar e manter presente. A Catalão dizia-me: "em sua memória, luta pelos teus desejos. Ela ficaria muito feliz por ti." Conselho sábio e a reter. Tenho de lutar por mim! Hoje e sempre. E com ela lá em cima a olhar por mim e a ajudar-me.

Um muito obrigada a todos pelos telefonemas e mensagens de conforto

Desequilíbrios

Mais de 128 mil crianças lutam contra a fome na Etiópia, alertam as Nações Unidas. E seis milhões estão na eminência de iniciar esta luta.
Sei que este problema e a sua resolução são de uma dimensão demasiado grande para mim. Sei que me perturba hoje e amanhã já estou preocupada com os meus pequenos dramas e com o meu bem-estar e este será um problema distante da minha realidade. São números demasiado grandes. São soluções que me parecem ou demasiado simples ou demasiado complicadas. Este desequilíbrio humano é perturbador.

Começa a espreitar...


Acho o sol desta vez veio para ficar!!

2 de junho de 2008

Este fim-de-semana foi passado a descansar. Soube bem. Era preciso. Era mesmo preciso.

Gelatina com leite

Na busca de sobremesas pouco calóricas, experimentei dar um toque diferente à gelatina. Um toque de pudim.
Uma colega minha falou-me nesta mistura. Misturar ao pó da gelatina metade de àgua quente e metade de leite. A gelatina fica com o aspecto de um pudim boca doce de morango. E eu nem sou grande fã de pudins... Mas lá está, é doce e pouco calórico. É gelatina, mas não é bem gelatina. E a pertunta que se impõe é, e é bom? Não sei. Está no frigorífico a solidificar. Amanhã logo vos digo se é bom ou não.

1 de junho de 2008

Não deixar a vida passar em branco...amigos sempre, ao longo da vida!

"Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo.... Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas?" Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto! "Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!" A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrima abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo..... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa

Momentos

Momentos. Quero muitos. É só isso que quero. Vivê-los e recordá-los. Uma vida cheia de recordações. Uma vida cheia de momentos.

PSD

Não, não sou de direita, nem nada me liga a este partido. Mas ao verificar que o mais recente líder é Manuela Ferreira Leite, pergunto que renovação é esta no partido em questão? É esta a oposição a Sócrates?

Eh pá, eu cá acho que não....mas isso sou eu....

31 de maio de 2008

Madonna






















Ela vem cá dia 14 de Setembro e eu vou! E já tenho bilhete. Acabadinho de comprar!

De partir o coração

Vi est vídeo nos Dias úteis e é realmente bonito e de partir o coração. Pequenos gestos...

28 de maio de 2008

Não poder voltar atrás

"-Meu caro Kafka, a maioria das pessoas chega a um ponto na vida em que já não se pode voltar atrás. E, em raríssimos casos, a um ponto em que já não é possível avançar. E quando se chega a esse ponto, não temos outro remédio senão aceitar calmamente o facto consumado. Só assim é que se sobrevive."


Haruki Murakami, in Kafka À Beira-Mar

Adeus avó

Hoje morreu um pedaço de mim, um pedaço grande. Mas hoje também estou protegida. Hoje alguém olha por mim e me protege.
Hoje morre a mulher de força e raça que foi, que é a minha avó. Um orgulho imenso.
Hoje morro eu mais um bocadinho. Sabia que ia acontecer. Que seria breve. Mas nunca nos despedimos. Nunca damos o último beijo, o último carinho. Sei que não podias permanecer. Sei que sofrias. Desejei tanto que acabasse o teu sofrimento. Sei que é melhor assim. Que só merecias que acabasse. Mas dizer adeus não é fácil. Quando pensava neste dia, pensei que sorriria, que o fim da tua dor e sofrimento atenuariam a minha dor. Mas as lágrimas que me correm pelo rosto não são serenas. Percorro os caminhos da nossa vida. Não te consigo desviar desse caminho. Hoje ainda iremos para tua casa, percorreremos os mesmos caminhos. A casa, o cheiro a ti, os teus santinhos espalhados pela casa, os teus campos, a tua aldeia, o teu nascer do sol, o teu orvalho matinhal, a tua vida. E nós ali, sem ti. Entrarei naquela porta e não receberei os sucessivos beijos repenicados. Ninguém me chamará minha filha. Eu sei o orgulho que tinhas em mim. Eu sei o quanto valorizavas a minha bondade. Eu sei o quanto me amavas. Mas na vida tudo é tão curto. Eras e sempre foste a minha única avó. Todos os outros disseram adeus antes de eu existir. Agora não resta ninguém. Um dia não restará nada do que me liga aquela aldeia, aquela serenidade e beleza. Hoje morre um pedaço de mim, da minha vida.
E agora falta dizer adeus naquelas cerimónias que me perturbam. Porque só quero que me deixem contigo. Que nos deixem. Não quero toda aquela gente ali. Não quero que me perturbem, que invadam o meu espaço. Quero apenas estar ali, no meu silêncio contigo.
A fé que sempre te acompanhou e sempre te entristeceu a minha falta de crença. Mas hoje encontrarás o teu Deus. Hoje estarás feliz.
Avó, minha avó, adeus. Olha por mim, olha por nós.

27 de maio de 2008

"Se forem felizes encontram a pessoa certa."

Isto será passível de acreditar/acontecer?

(...)Quando saires da tempestade já não serás a mesma pessoa."

"Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar. (...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido."

Haruki Murakami, Kafka à beira mar

"Ainda não sei tudo o que vivi da vida..."

Leio aqui :

"Ainda não sei tudo o que vivi da vida. Mas tenho medo de ter alguma noção do que já perdi nela."

Tenho alguma noção do que perdi. Não volto atrás. Não posso mudar nada do que já foi. Mas posso mudar tudo no que será. Ainda estou a tempo. Ainda há tempo. E haverá sempre tempo. Porque nunca é tarde. Olhar,planear, pensar, mudar. Todos os dias. É bom olhar em frente. É melhor ainda ter algo à frente para olhar e seguir. Tenho noção de alguma das coisa que perdi, sim. É bom ter essa noção? Sim. É bom estar na posse dessse saber. Cresci. Sei olhar para o passado, viver o presente e construir um futuro. Sou eu e sempre mais eu. Na posse de mais. Ganho isso todos os dias. Nunca menos. Sempre mais.
Cadernos, Duarte Belo

"Gostar à bruta"

Gostar à bruta é o nome deste blog. Entrei em contacto com ele através de um post da Carolina e desde esse dia tenho andado a devorá-lo. Como ela ontem me dizia, existem homens interessantes e este deve ser um deles. Transparece isso, pelo menos.

Hoje, leio nesse mesmo blog

"Uma grande amizade começa com um pequeno segredo".

Simples e é mesmo isso. Aos pequenos segredos e às grandes amizades.

Desejo movimento

"Desejava movimento e não um calmo percurso da existência. Desejava excitação e perigo e a oportunidade de me sacrificar pelo meu amor. Sentia em mim um transbordar de energia que não encontrava escape na nossa vida calma."

Lev Tolstói

Apetece-me escrever, escrever e escrever

Mas o quê?

Sobre quê?

O poder da gata

Noite cinzenta e de chuva. No interior do Coliseu o silêncio respeitador pela artista que é conhecida pelas suas alterações de humor, motivadas por toques de telemóvel ou um simples tossir. O silêncio. A voz quente de Cat power. A dirty Blues band. Voz límpida. Som perfeito. Acústica perfeita. Na minha cabeça apenas sons, palavras, melodias. A música ecoa no Coliseu. Esgotado. Olho à minha volta e só vejo pessoas. Uma multidão. Os olhos nela. O corpo nela. Os sorrisos. As lágrimas. A solidão da partilha. Estamos nela. Ali. Não há trocas de palavras, não há movimentos. Há lágrimas, sorrisos, abraços a nós próprios. Refugiados no nosso silêncio. Invadidos por aquele poder. Estar nela/em nós. Sós, connosco e com ela. O reconhecimento, a gratidão. Ela entra e sai de palco. A dança, o gesticular, os trejeitos, o moonwalk (à la Michael Jackson), o escorregar, o dobrar, o vibrar, o "estar" com os seus músicos, o sentir, o ser. Desce do palco para estar entre os seus. Com os seus. Distribui flores, setlists. Custa abandonar o palco. Foram 2 horas. Intensas. Agradece, dança, mil e um trejeitos de gratidão e reconhecimento.


Fomos um só naquela noite. Emocionou-me. Como há algum tempo não acontecia num espectáculo. Ou se calhar aconteceu, mas de forma diferente.

Ela tocaria mais. Tocaria a noite toda. Queria falar connosco, na nossa língua. Queria ver-nos de luzes acesas. Queria abraçar-nos a todos. E conseguiu. Tocou-me/nos. Um abraço gigante. O poder de uma gata. Cat power. Chan Marshall."The Greatest".

Quando saí chovia copiosamente, mas dentro de mim o calor e as cores. A minha vida escreveu-se em suaves cores nessa noite. "Wheres is my love?...where is my love?..."

Capitalismo decadente

Subida galopante do preço do petróleo, desvalorização do dólar, subida do preço dos alimentos essenciais. Diminui a confiança e o investimento. Crise. O que está na origem? A guerra fictícia e imaginária no Iraque e no Afeganistão. O sonho americano gera o terror europeu. A crise alastra-se à Europa. Avisam-nos para nos preocuparmos. Um aviso sério. A tendência é piorar. Capitalismo decadente.

25 de maio de 2008

Hoje é dia de...

Cat Power no Coliseu


Portátil com birra

O meu portátil desligou-se subitamente, como quando falta a luz. Será que queimou? Comprei o portátil no trabalho e apesar de ser em 2ª mão, estava em bom estado. Paguei-o o mês passado. E não o consigo ligar....Estou a utilizar o do trabalho.
Não se pode ter avariado, pois não? Outra vez não!

Youtube

Eu para aqui toda entusiasmada a criar uma página no Youtube para carregar as pequenas filmagens que faço nos concertos, e para poder guardá-las, e esta merda demora mais de 30 minutos a carregar um vídeo?
Se for sempre assim acho que os vídeos vão permanecer guardados no PC porque não há paciência!!

Unanimidade

Acho que sou uma pessoa unânime. Ou seja, 90% das pessoas que eu conheço têm a mesma opinião sobre a minha pessoa. Apenas 10% das pessoas discordarão dos restantes 90%. Este Universo é o das pessoas que gostam de mim. Claro que há as que não gostam de mim e terão muitas e diversas opiniões sobre a minha pessoa.
Mas será esta unanimidade boa?

Pausa

Fim-de-semana em família, calmo e sereno. Momento de pausa. Aquele momento necessário para pensar, para estar. Ali e só ali. Porque só ali faz sentido. Com eles. Entre eles. Com aquele adormecer no sofá. Com aquele acordar cedo, ao som de todos os chilreares. Com tempo. Ter tempo. Parar. Serenar. Porque amanhã, novo ritmo. Tudo começa novamente. E eu estou bem.
Como será aquele momento em que tudo deixa de fazer sentido? Aquele momento em que queremos simplesmente partir?
Quando é que tudo deixa de fazer sentido? Quando é que todos nos são indiferentes? Quando é que tudo o que nos liga aos outros não significa nada? Quando é que se instala o vazio? Quando é que olhamos para alguém e não vemos que não olhamos para a mesma pessoa? Quando é que nos abandonamos? Quando é que a sociedade nos perturba a ponto de nos fazer dizer adeus?
Há quem se despeça e eu digo um simples adeus e tenho pena...

22 de maio de 2008

Mundo pequeno

"Mundo pequeno" é o nome de um programa que vai estrear na SIC, apresentado por Artur Albarran. Sim, por Artur Albarran. Lembram-se dele?
Vejo pouca ou nenhuma televisão, e hoje ao ver a promoção deste novo programa da SIC, que vai estrear brevemente, percebo cada vez mais porquê. Quando a nossa memória é tão curta, que permite que um ex-jornalista suspeito de crimes económico-financeiros e branqueamento de capitais, regresse à televisão, só mesmo para apresentar um programa com este nome. Porque é um mundo pequeno este. Com uma memória pequena. Uma justiça pequena. Mas uma cara de pau grande.

E tanta gente à espera de novas oportunidades no mundo televisivo....

Vivam os "tachos"! Viva a impunidade!
Feriado.

Planeio fazer imensa coisa.

Limpezas em casa. Limpar e empacotar livros para levar para a minha casa. Dar aquela "volta" à despensa, que tanto precisa. Fazer depilação. Adiantar umas coisas do trabalho. Descarregar e gravar fotografias. Arrumar roupa.

E o que é que fiz de tudo isto? Adiantei umas coisas do trabalho....

Má gestão de tempo MJ, má gestão de tempo!
"Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
(...)"

Adriana Calcanhoto, Esquadros

E o Sol?

O mês de Maio está quase no fim e da Primavera não reza história este ano. Continuamos com dias de chuva e cinzentos, alternando com poucos dias de sol e temperatura amena.

Estamos com saudades tuas sol! Vê lá se apareces!Vá, sê amiguinho e dá um ar da tua graça! Vá lá!!

A chave do meu carro tem vontade própria!

Depois do assalto, o meu carro aguarda ainda a nova fechadura. Ontem, depois do jantar de anos da Ana, vamos para Lisboa e depois de estacionar o carro, verifico que o comando do fecho centralizado não funciona. Várias tentativas feitas, a chave passa de mão em mão, todos tentando em vão fechar o carro. Nem sinal. O botão quase que ficou calcado de tanto dedo e tanta tentativa. Depois de muitas tentativas e teorias para trancar o carro e eu poder ficar, a melhor de todas era trancar no botão que tranca o carro no interior e sair pela mala. Quando regressasse certamente que já funcionaria. Lol! Achei melhor não arriscar, até porque não tenho tido assim tanta sorte com a viatura nos últimos tempos. A decisão é vir embora para para casa. E lá fui eu.
Hoje de manhã resolvo ir comprar uma nova pilha. Já no interior do carro, que ficou aberto durante toda a noite na minha rua, resolvo sair e experimentar novamente. E não é que o carro trancou? E abriu e voltou a trancar, e assim sucessivamente. Assim, como se nada tivesse acontecido. Portanto, fica aqui provado que o meu carro é caprichoso e a chave do mesmo tem vontade própria!

20 de maio de 2008

Reencontros

Ao longo da minha vida tive oportunidade de encontrar pessoas com um toque especial.
No primeiro ano de faculdade tive uma colega também chamada Maria João. Mas esta Maria João era em tudo diferente daquela que vos escreve. Confiante, destemida, ela era a surfista da alimentação saudável, do deitar cedo, sem borgas, sem excessos, com uma alegria imensa, cheia de boas energias, sorriso resplandescente e senhora de muitos conselhos. Sempre consciente do que queria fazer, lutou pelo que queria e pediu a transferência do curso de Linguística para o curso de Ciências de Comunicação. E conseguiu. Eu mantive-me refugiada nos meus medos e inseguranças e no meu comodisto estável e fiquei. Hoje seria tão diferente.
O mês passado reencontrei-a. O mesmo sorriso, a mesma afabilidade, a mesma energia positiva. Viaja imenso, é freelancer, escreve sobre as suas viagens, faz cursos sobre terapias energéticas. É uma pessoa feliz e isso transparece. Trocámos contactos e ela mandou um mail. Hoje estive a responder-lhe. Tantos anos depois lembra-se do meu gosto por música e pergunta-me o que eu preciso para isso acontecer. Diz-me que foi lindo reencontrar-me e que parece que não me via há apenas uns dias. Fiquei cheia de vontade de estar com ela e de a ouvir falar da sua experiência de vida. Gosto destes encontros e de nos reencontrarmos nas pessoas.
Porque é que sempre que eu estou cansada e cheia de sono no trabalho e digo que estou enjoada, me fazem comentários do género:
- João, posso começar a bordar uma fraldinha? ou - Huuumm, estás enjoada?, seguido daquele sorrisinho malandro.

Porque é que não percebem que a mim o cansaço e falta de dormir me ataca o estômago com enjoos e falta de apetite? Porque é que tenho de estar sempre a responder:
- Só se for do espírito santo!

E porque é que que hoje ao comentar que me apetecia comer um palmier, porque tenho andado a comer poucos doces e hoje me apetecia mesmo um doce, voltam ao mesmo assunto:
- ontem enjoada, hoje com desejos...

Mas porquê?

P.S - provavelmente o post mais parvo e desinteressante de sempre...

André

Com alguns dias de atraso, mas não tem havido mesmo tempo…

O André nasceu e foi bom vê-lo com a mãe na Maternidade depois do susto que foi saber à distância que o parto não estava a ser fácil. Mas tudo correu bem e o André cá está, lindo e forte! Como a Cáti menciona nos Devaneios, também eu recordo aquela noite em que no café a Bel contou à Cáti e a mim que estava grávida. As dúvidas, o receio, a não aceitação, todo o contexto desse momento era tão desfavorável. Recordo as lágrimas da Cáti e o pedido para não desistir. E eram lágrimas daquelas que não sei adjectivar. Falava-se de vida. Foi muito comovente. Eu sentia-me incrédula perante a força, a convicção e a crença daquelas duas mulheres. Só pessoas especiais conseguem ter aquela força. Fiquei muito comovida e só pensava no quão corajosa era preciso ser. A verdade é que como disse aqui na altura, quando ainda quase ninguém sabia, a vida acontece. E aconteceu. Tudo mudou, tudo melhorou, tudo aconteceu. Hoje estamos perante um sonho realizado e uma família feliz e babada. E sempre que eu fraquejar, vou lembrar-me desta história. E não é à toa que aqui lhe chamam mãe coragem. Porque é de coragem, mesmo de muita coragem que hoje aqui falo. O André tem uma mãe na qual se deve orgulhar muito e tem uma história da qual se deve orgulhar. Porque ele estaria cá, independentemente de tudo, contra tudo e contra todos. E são histórias como esta que me fazem admirar os meus amigos cada vez mais.

19 de maio de 2008

Hoje é dia de...

Adriana Calcanhoto no Coliseu dos Recreios


16 de maio de 2008

Gosto quando acordo com uma música na cabeça e a vou a cantarolar para a banheira.

Coincidência das coincidências, cheguei agora ao trabalho, ligo a Radar online e que música está a tocar? Esta mesmo: "This is the thing", na voz de Fink.

Há noites assim (felizmente são poucas), em que chego a casa, ligo estupidamente o portátil quase à 1h da manhã e fico a fazer nada, a sentir-me sozinha e a desejar carinho e mimo. E não está ninguém em casa à minha espera.

Sou mesmo a tarte de mirtilo...:-)

15 de maio de 2008

Hoje é dia de...

«Um Conto Americano», de David Mamet no Teatro D. Maria II




Estas merdas enervam-me!

Uma catástrofe assolou a China, a Birmânia recusa a entrada no país da ajuda humanitária, em Barcelona a falta de àgua é uma realidade preocupante, a gasolina em Portugal atinge quase 1.50€ o litro, a comida está cada vez mais cara e que penso eu quendo leio isto no Público "O PSD e o Bloco de Esquerda (BE) defenderam hoje que o primeiro-ministro, José Sócrates, deve ser multado, "e de forma exemplar", por ter fumado a bordo de um avião, durante o voo oficial para a Venezuela. Os bloquistas defendem ainda que a TAP também deve ser sancionada."?

Querem saber o que eu penso?

Puta que os pariu! Falem-me de problemas sérios e não de transgressões adolescentes!

14 de maio de 2008

Ontem foi dia de...

Na Aula Magna...e foi fraquinho...bem fraquinho



12 de maio de 2008

Ainda "My Blueberry nights"...

Descobri neste filme que sou uma tarte de mirtilo. Não há problema nenhum comigo. Mas há os outros. São escolhas que se fazem. A culpa não é minha.

Não consigo deixar de pensar no filme...


"- Bem, segundo o que observo... às vezes é melhor não saber. E outras vezes... não há motivo algum a ser encontrado.


- Tudo tem um motivo.


- É como estas tartes e bolos. No final de cada noite... o cheesecake e a tarte de maçã acabam sempre. A torta de pêssego e o bolo de mousse de chocolate quase que acabam. Mas há sempre uma tarte de mirtilos que sobra, ainda intocada.

Como dizer adeus para uma pessoa que você nunca imaginou viver sem? Eu não disse adeus... Eu não disse nada. Apenas fui embora.


- Então o que há de mal com a tarte de mirtilos?


- Não há nada de mal com a tarte de mirtilos. As pessoas é que fazem outras escolhas. Não se pode culpar a tarte de mirtilos. Apenas ninguém a quer."

Não consigo deixar de recordar o filme...

"Nos últimos dias tenho tentado aprender a não confiar nas pessoas, mas ainda bem que falhei. Às vezes olhamos para as pessoas como se elas fossem um espelho que nos reflete, e nos mostra quem nós somos. E cada reflexo me faz gostar de mim mesma um pouco mais."

Ainda bem que também falhei. Gosto do meu reflexo nos outros, só neles faz sentido esse gostar e esse reflexo.

Um dos beijos mais bonitos do cinema

É este. Em cima de um balcão. Ela adormece. Dorme em cima do balcão, depois de muita conversa e de comer uma "blueberry pie" com gelado, deixando um bigodinho de gelado nos lábios. Ele beija-a, limpando os restos de gelado. Ela beija-o como se estivesse a sonhar, sem abrir os olhos e sorrindo. Abraçados.

É bonito, verdadeiramente bonito!


"My Blueberry nights"

Assim se chama o filme. Não é o filme da minha vida. Não é o melhor filme do realizador Wong Kar Wai. A Norah Jones não é a melhor das actrizes. Mas é um grande filme. É um filme cheio de emoções, daquelas simples, daquelas que aquecem o coração, daquelas que te fazem sorrir escondida no escura da sala, daquelas que te fazem desejar abraçar os amigos que te rodeiam. É um filme doce, bonito, romântico. É um filme com um Jude Law lindíssimo, delicioso, maravilhoso! É um filme com os olhos grandes como o mundo da Norah Jones. É um filme com a música e a presença da Cat Power. É um filme de amizade, de confiança, de partilha, de amor, de sofrimento, de desencontros, de palavras, dessa coisa em desuso chamada escrever cartas, de desabafos. É um filme com um dos beijos mais bonitos da história do cinema (para mim, para a minha história do cinema, que é curta). É um filme de vidas e sonhos. De chaves perdidas e de portas que permanecem abertas até as querermos fechar.
É um grande filme. Saí cheia de tudo, com tudo dentro de mim. Só me apetecia fazer rewind e rever uma e outra vez. Parece lamecha, mas não o é. É bonito. Vale a pena ver. Vale mesmo muito a pena.

Há momentos de sorte

Diz-se que a seguir a grandes momentos de tristeza e de azar, seguem-se momentos de felicidade e sorte. Não sei se a minha sorte está a mudar, tento nem pensar muito nisso. Mas este fim-de-semana senti-me uma pessoa afortunada.
Sexta-feira, noite de ir ver a peça “Onde vamos morar”, peça de José Vieira Mendes, com o Sérgio Godinho, em cena no Convento das Mónicas. Peça esgotada, mas disseram-nos que as reservas caíam às 20:30h. Resolvemos tentar a sorte. A minha amiga atrasa-se (o tempo suficiente para equacionar a desistência de ver a peça), carros estacionados longe, uma longa caminhada com alguns enganos pelo caminho, fomos dar ao Teatro da Garagem erradamente, lá encontrámos um segurança muito castiço que foi uma simpatia, e que mesmo sendo 21:19h convencia “as meninas” a continuar caminho e nos incentivava a manter a esperança de chegas a horas. Depois de muitas voltas e subidas, chegámos finalmente ao destino às 21:28h e encontrámos cerca de 12 pessoas que aguardavam pelo mesmo que nós. Já sem esperança de conseguir bilhete e bastante ofegantes, ela senta-se a descansar e eu dirijo-me ao WC para despejar uma bexiga que ansiava ser despejada. Quando regresso, vestimos os casacos e preparamo-nos para sair, quando avisam o grupo que aguardava que poderia entrar. Uma senhora pergunta quando pagamos e a resposta é que não podemos pagar bilhetes que já foram pagos. Entramos sem pagar, felizes com a sorte e por nos termos atrasado e perdido, porque se tivéssemos chegado a horas teríamos desistido. Ocupamos os lugares que estão vazios e sento-me mesmo ao lado de Bruno Nogueira e Maria Rueff. Uma boa peça, excelente interpretação de Sérgio Godinho. Enfrenta-se o frio da noite com a cabeça cheia de personagens e actores, e de uma personagem particular que nos faz lembrar alguém.
Mais um momento de sorte. Domingo, dirijo-me a uma Aula Magna esgotada para ver os The National. Levanto os meus 4 bilhetes e guardo o meu e o do meu amigo. Todos ganhámos bilhetes duplos, portanto sobram-me dois bilhetes. Reservo esses dois para vender.Porquê? Porque na minha cabeça existe uma multa e a perda de 60€. Não gosto de fazer isto. Os bilhetes ganhos são sempre para dar. Só vendo bilhetes quando compro bilhete e depois ganho, de forma a reaver o dinheiro. Isso foi o que aconteceu com a Sílvia e a Marieta, e era essa a prioridade. Elas conseguiram vender rapidamente. Eu também consigo vender um facilmente. Restou-me um quase até ao início do concerto, mas consegui vendê-lo. Depois de muito tempo, dúvidas, abordagem a muita gente, contacto com outros “candongueiros”, mas esses profissionais, um sem número de histórias. Mas consegui reaver algum do dinheiro da multa. Tiram-me por um lado, mas dão-me por outro. Depois dos nervos e da ansiedade associados à candonguice, aquela sensação de alegria. Fiquei mesmo contente! Por tudo. Por toda a situação e episódios divertidos e surreais que aconteceram durante este período de venda, pela companhia, pelas dúvidas, por aquela “leitura de olhar”, na qual não sou perita, pelo grande concerto a que assisti. Durante aqueles minutos, a única coisa que me distraia era o excesso de calor da sala. Sentiram-se emoções partilhadas entre nós. Os olhares sorriam e percebiam a comunhão e a partilha do momento.
E eu tenho sorte, mesmo quando não tenho, eu tenho muita sorte, porque vivo momentos destes, com pessoas destas.

Este foi um fim-de-semana cheio!

Obrigado Rui Costa!

Obrigado Rui! Nós é que te aplaudimos!




Hoje foi noite de...

The National na Aula Magna. Não houve tempo para escrever que foi "dia de", apenas que foi noite de um grande concerto, com a Aula Magna esgotada para ver os The National sempre em crescendo e com o público rendido.

E foi tudo perfeito! Uma noite perfeita!


8 de maio de 2008

Montagem de cama

Hoje a noite foi de montagem de mobiliário IKEA. Eu, a Cáti e a Mary de volta da montagem da minha cama. Diverti-me imenso!
No início a cabeceira e os pés não encaixavam bem nas laterais da cama. Como sou inexperiente, fiquei um pouco apreensiva. Pensei que ia ser uma tarefa àrdua. Empurra, dá murro (estávamos sem martelo), sugestão de virar a cama, encosta à parede, empurra daqui e empurra dali, muitas foram as tentativas. Mas a coisa começou a tomar o seu rumo e as dificuldades a serem ultrapassadas. Colocam-se os parafusos e as buchas, a base, o estrado e finalmente o colchão. Entre risos, conversas, a cama está pronta e parece confortável. Agora só falta dar-lhe uso! Eh, eh!!

P.S.- é que me diverti mesmo!

7 de maio de 2008


Acho que hoje vou cortar o cabelo……buáááá!!!

Odeio cortar o cabelo!!!!!


E ainda por cima está tão comprido…..

Gosto cada vez mais..

das ruas de Lisboa com o Tejo à espreita!

Não gosto...

Não gosto de ser confrontada com situações que magoam os meus amigos, não gosto de os ver sofrer, não gosto sequer de pensar no sofrimento causado. Mas sofrer é preciso, faz parte da vida, nenhum de nós está imune. Sofrer não nos dá saúde, mas fortalece-nos. É na dor que nos conhecemos um pouco melhor, que testamos a nossa força, que renascemos sempre para uma realidade diferente.
Apesar de tudo isto, não gosto e não quero ver-vos ou imaginar-vos a sofrer.

Hoje é dia de teatro!


Mais uma borla, mais uma volta! Hoje é dia de ir ao teatro!

6 de maio de 2008

Juventude sem causas

Celebram-se os 40 anos do Maio de 68 e celebrámos recentemente o 25 de Abril.
Há 30, 40 anos os jovens tinham lutas, ideais, eram politizados, informados, tinham objectivos e causas pelas quais lutavam. Eram rebeldes com causas. Hoje somos rebeldes sem causas. Quero uma causa pela qual lutar. Tenho inveja daquela juventude que não foi a minha. Não lutei por nada nem por ninguém.

Hoje é dia de...

Dead Combo no Lux
(em escuta na Grafonola com "Electrica cadente")

4 de maio de 2008

Ante-estreia de "Goodbye Irene"

Convites para a ante-estreia deste filme com o Nuno Lopes e a Rita Loureiro no S. Jorge.

Cinema cheio de estrelas e aspirantes a estrelas.

Não gostei muito do filme, mas valeu a pena de qualquer forma.

Hoje é dia de...

Einstürzende Neubauten na Aula Magna...

Curiosamente este não foi ganho por mim, mas a solidariedade de uma amigo de uma amiga a quem dei um bilhete para um outro concerto é demonstrada desta forma. Bilhete ganho e oferecido. Obrigado!!


"No bairro do amor o Sol parece maior

E há ondas de ternura em cada olhar (...)"

Jorge Palma

2 de maio de 2008

Mais um azar...

Como tudo corre bem, e como hoje (2 de Maio) estou de férias, aproveito para ir à conservatória tratar do registo da casa. Sem moedas na carteira, não coloco moedas no parquímetro. E para quê preocupar-me em trocar as notas que tinha na carteira, ou quem sabe procurar um lugar sem parquímetro?
Pois é, ouço uma senhora perguntar ao marido se tinha colocado parquímetro porque estavam a bloquear carros. Soube imediatamente que tinha sido a feliz contemplada. Desço as escadas a correr e não é que tinha sido mesmo contemplada? Ainda lhes disse de lágrimas nos olhos que tinham roubado o meu carro e estragado a fechadura uma semana antes, mas nestas coisas são implacáveis. Devia ter ido trocar as notas. Resultado? 60€ a menos na conta...
E o que me f* mesmo é que acordei cedo num dia de férias, sou multada, estou imenso tempo à espera, perco a manhã e dizem-me quando sou atendida que o registo é tratado pelo banco e que eu não tenho de fazer nada.
E a burra não sou eu? Sou, ah pois sou!

FDP de azar! Fico tão revoltada! A via pública é de todos nós!!

Intermitências

A minha avó está doente, muito doente, na recta final da vida. Num caminho doloroso, penoso, daqueles que não merece a pena percorrer. O corpo está a morrer, a apodrecer, no sentido lato da palavra. A minha avó, muito lúcida de cabeça sofre com as dores horríveis de uns pés que apodrecem. Aos 94 anos o corpo decidiu descansar, apesar de o coração e a cabeça dela se encontrarem de excelente saúde. Não percebo porque tem de ser assim. Porque temos de sofrer quando menos merecemos sofrer. Não sei dizer o que sinto quando vejo a minha avó a emagrecer, a não comer (a medicação é forte e ataca o estômago, o que a faz vomitar e não conseguir comer), a ter dores horríveis. Não vos sei dizer o que sinto quando vejo os pés inchados, negros (mesmo negros), em ferida e a cheirar a podre. A descrição é crua e nojenta, mas é assim. Os médicos decidiram não cortar porque ela não sobrevive à operação. Decidiram não a pôr a soro porque as veias podem arrebentar. Foi condenada a viver até o corpo se deteriorar tanto que não aguente. Até lá sofre. Sente-se a morrer. Neste momentos em que sinto que vou vomitar de nojo, de pena, de dor, de amor, só quero que ela morra. Que feche os olhos e se apague sem mais dor. Nestes momentos queria que a eutanásia não fosse proibida e que se pudesse rapidamente atenuar o sofrimento dela. Queria ter algum poder, mas nada posso. Não sei sequer se seria capaz de o fazer, mas talvez o meu amor o permitisse fazer, ou pedir a alguém que o faça. A minha avó é a imagem de força, de ruralidade, nunca teve aquele lado feminino da casa, do carinho, da imagem. É a mulher do campo, só o trabalho interessava e sempre a vi trabalhar. Nunca foi uma mãe carinhosa, mas foi uma avó atenciosa, cheia de histórias. foi a única avó que conheci. Os cheiros da casa, das comidas, os campos, as luzes de fim de tarde e princípio da manhã, a exigência, o autoritarismo, a religiosidade, o trabalho de campo, as mãos na terra, as cores, tudo o que me liga ao norte do país, aquela casa rural e aquele modo de vida rural me ligam a ela. Porque eu também sou aquilo tudo. As minhas origens estão ali.
Agora resta-nos acompanhar e aguardar. Não fazer planos. Viver o dia a dia e esperar por aquele dia que eu espero que seja breve. A minha despedida está feita. Agora resta-me deixá-la ir. Todos estão a ir. Somos cada vez menos e os que ficam estão cada vez mais velhinhos. Não consigo viver sem a ideia de morte presente na minha vida. Não consigo sossegar. Estou cada vez mais inquieta. A vida provoca-me e altera-me.
"Quanto mais claro/ Vejo em mim, mais escuro é o que vejo./ Quanto mais compreendo/ Menos me sinto compreendido./ Ó horror paradoxal deste pensar... " Fernando Pessoa