Klimt

31 de maio de 2008

Madonna






















Ela vem cá dia 14 de Setembro e eu vou! E já tenho bilhete. Acabadinho de comprar!

De partir o coração

Vi est vídeo nos Dias úteis e é realmente bonito e de partir o coração. Pequenos gestos...

28 de maio de 2008

Não poder voltar atrás

"-Meu caro Kafka, a maioria das pessoas chega a um ponto na vida em que já não se pode voltar atrás. E, em raríssimos casos, a um ponto em que já não é possível avançar. E quando se chega a esse ponto, não temos outro remédio senão aceitar calmamente o facto consumado. Só assim é que se sobrevive."


Haruki Murakami, in Kafka À Beira-Mar

Adeus avó

Hoje morreu um pedaço de mim, um pedaço grande. Mas hoje também estou protegida. Hoje alguém olha por mim e me protege.
Hoje morre a mulher de força e raça que foi, que é a minha avó. Um orgulho imenso.
Hoje morro eu mais um bocadinho. Sabia que ia acontecer. Que seria breve. Mas nunca nos despedimos. Nunca damos o último beijo, o último carinho. Sei que não podias permanecer. Sei que sofrias. Desejei tanto que acabasse o teu sofrimento. Sei que é melhor assim. Que só merecias que acabasse. Mas dizer adeus não é fácil. Quando pensava neste dia, pensei que sorriria, que o fim da tua dor e sofrimento atenuariam a minha dor. Mas as lágrimas que me correm pelo rosto não são serenas. Percorro os caminhos da nossa vida. Não te consigo desviar desse caminho. Hoje ainda iremos para tua casa, percorreremos os mesmos caminhos. A casa, o cheiro a ti, os teus santinhos espalhados pela casa, os teus campos, a tua aldeia, o teu nascer do sol, o teu orvalho matinhal, a tua vida. E nós ali, sem ti. Entrarei naquela porta e não receberei os sucessivos beijos repenicados. Ninguém me chamará minha filha. Eu sei o orgulho que tinhas em mim. Eu sei o quanto valorizavas a minha bondade. Eu sei o quanto me amavas. Mas na vida tudo é tão curto. Eras e sempre foste a minha única avó. Todos os outros disseram adeus antes de eu existir. Agora não resta ninguém. Um dia não restará nada do que me liga aquela aldeia, aquela serenidade e beleza. Hoje morre um pedaço de mim, da minha vida.
E agora falta dizer adeus naquelas cerimónias que me perturbam. Porque só quero que me deixem contigo. Que nos deixem. Não quero toda aquela gente ali. Não quero que me perturbem, que invadam o meu espaço. Quero apenas estar ali, no meu silêncio contigo.
A fé que sempre te acompanhou e sempre te entristeceu a minha falta de crença. Mas hoje encontrarás o teu Deus. Hoje estarás feliz.
Avó, minha avó, adeus. Olha por mim, olha por nós.

27 de maio de 2008

"Se forem felizes encontram a pessoa certa."

Isto será passível de acreditar/acontecer?

(...)Quando saires da tempestade já não serás a mesma pessoa."

"Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar. (...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido."

Haruki Murakami, Kafka à beira mar

"Ainda não sei tudo o que vivi da vida..."

Leio aqui :

"Ainda não sei tudo o que vivi da vida. Mas tenho medo de ter alguma noção do que já perdi nela."

Tenho alguma noção do que perdi. Não volto atrás. Não posso mudar nada do que já foi. Mas posso mudar tudo no que será. Ainda estou a tempo. Ainda há tempo. E haverá sempre tempo. Porque nunca é tarde. Olhar,planear, pensar, mudar. Todos os dias. É bom olhar em frente. É melhor ainda ter algo à frente para olhar e seguir. Tenho noção de alguma das coisa que perdi, sim. É bom ter essa noção? Sim. É bom estar na posse dessse saber. Cresci. Sei olhar para o passado, viver o presente e construir um futuro. Sou eu e sempre mais eu. Na posse de mais. Ganho isso todos os dias. Nunca menos. Sempre mais.
Cadernos, Duarte Belo

"Gostar à bruta"

Gostar à bruta é o nome deste blog. Entrei em contacto com ele através de um post da Carolina e desde esse dia tenho andado a devorá-lo. Como ela ontem me dizia, existem homens interessantes e este deve ser um deles. Transparece isso, pelo menos.

Hoje, leio nesse mesmo blog

"Uma grande amizade começa com um pequeno segredo".

Simples e é mesmo isso. Aos pequenos segredos e às grandes amizades.

Desejo movimento

"Desejava movimento e não um calmo percurso da existência. Desejava excitação e perigo e a oportunidade de me sacrificar pelo meu amor. Sentia em mim um transbordar de energia que não encontrava escape na nossa vida calma."

Lev Tolstói

Apetece-me escrever, escrever e escrever

Mas o quê?

Sobre quê?

O poder da gata

Noite cinzenta e de chuva. No interior do Coliseu o silêncio respeitador pela artista que é conhecida pelas suas alterações de humor, motivadas por toques de telemóvel ou um simples tossir. O silêncio. A voz quente de Cat power. A dirty Blues band. Voz límpida. Som perfeito. Acústica perfeita. Na minha cabeça apenas sons, palavras, melodias. A música ecoa no Coliseu. Esgotado. Olho à minha volta e só vejo pessoas. Uma multidão. Os olhos nela. O corpo nela. Os sorrisos. As lágrimas. A solidão da partilha. Estamos nela. Ali. Não há trocas de palavras, não há movimentos. Há lágrimas, sorrisos, abraços a nós próprios. Refugiados no nosso silêncio. Invadidos por aquele poder. Estar nela/em nós. Sós, connosco e com ela. O reconhecimento, a gratidão. Ela entra e sai de palco. A dança, o gesticular, os trejeitos, o moonwalk (à la Michael Jackson), o escorregar, o dobrar, o vibrar, o "estar" com os seus músicos, o sentir, o ser. Desce do palco para estar entre os seus. Com os seus. Distribui flores, setlists. Custa abandonar o palco. Foram 2 horas. Intensas. Agradece, dança, mil e um trejeitos de gratidão e reconhecimento.


Fomos um só naquela noite. Emocionou-me. Como há algum tempo não acontecia num espectáculo. Ou se calhar aconteceu, mas de forma diferente.

Ela tocaria mais. Tocaria a noite toda. Queria falar connosco, na nossa língua. Queria ver-nos de luzes acesas. Queria abraçar-nos a todos. E conseguiu. Tocou-me/nos. Um abraço gigante. O poder de uma gata. Cat power. Chan Marshall."The Greatest".

Quando saí chovia copiosamente, mas dentro de mim o calor e as cores. A minha vida escreveu-se em suaves cores nessa noite. "Wheres is my love?...where is my love?..."

Capitalismo decadente

Subida galopante do preço do petróleo, desvalorização do dólar, subida do preço dos alimentos essenciais. Diminui a confiança e o investimento. Crise. O que está na origem? A guerra fictícia e imaginária no Iraque e no Afeganistão. O sonho americano gera o terror europeu. A crise alastra-se à Europa. Avisam-nos para nos preocuparmos. Um aviso sério. A tendência é piorar. Capitalismo decadente.

25 de maio de 2008

Hoje é dia de...

Cat Power no Coliseu


Portátil com birra

O meu portátil desligou-se subitamente, como quando falta a luz. Será que queimou? Comprei o portátil no trabalho e apesar de ser em 2ª mão, estava em bom estado. Paguei-o o mês passado. E não o consigo ligar....Estou a utilizar o do trabalho.
Não se pode ter avariado, pois não? Outra vez não!

Youtube

Eu para aqui toda entusiasmada a criar uma página no Youtube para carregar as pequenas filmagens que faço nos concertos, e para poder guardá-las, e esta merda demora mais de 30 minutos a carregar um vídeo?
Se for sempre assim acho que os vídeos vão permanecer guardados no PC porque não há paciência!!

Unanimidade

Acho que sou uma pessoa unânime. Ou seja, 90% das pessoas que eu conheço têm a mesma opinião sobre a minha pessoa. Apenas 10% das pessoas discordarão dos restantes 90%. Este Universo é o das pessoas que gostam de mim. Claro que há as que não gostam de mim e terão muitas e diversas opiniões sobre a minha pessoa.
Mas será esta unanimidade boa?

Pausa

Fim-de-semana em família, calmo e sereno. Momento de pausa. Aquele momento necessário para pensar, para estar. Ali e só ali. Porque só ali faz sentido. Com eles. Entre eles. Com aquele adormecer no sofá. Com aquele acordar cedo, ao som de todos os chilreares. Com tempo. Ter tempo. Parar. Serenar. Porque amanhã, novo ritmo. Tudo começa novamente. E eu estou bem.
Como será aquele momento em que tudo deixa de fazer sentido? Aquele momento em que queremos simplesmente partir?
Quando é que tudo deixa de fazer sentido? Quando é que todos nos são indiferentes? Quando é que tudo o que nos liga aos outros não significa nada? Quando é que se instala o vazio? Quando é que olhamos para alguém e não vemos que não olhamos para a mesma pessoa? Quando é que nos abandonamos? Quando é que a sociedade nos perturba a ponto de nos fazer dizer adeus?
Há quem se despeça e eu digo um simples adeus e tenho pena...

22 de maio de 2008

Mundo pequeno

"Mundo pequeno" é o nome de um programa que vai estrear na SIC, apresentado por Artur Albarran. Sim, por Artur Albarran. Lembram-se dele?
Vejo pouca ou nenhuma televisão, e hoje ao ver a promoção deste novo programa da SIC, que vai estrear brevemente, percebo cada vez mais porquê. Quando a nossa memória é tão curta, que permite que um ex-jornalista suspeito de crimes económico-financeiros e branqueamento de capitais, regresse à televisão, só mesmo para apresentar um programa com este nome. Porque é um mundo pequeno este. Com uma memória pequena. Uma justiça pequena. Mas uma cara de pau grande.

E tanta gente à espera de novas oportunidades no mundo televisivo....

Vivam os "tachos"! Viva a impunidade!
"Quanto mais claro/ Vejo em mim, mais escuro é o que vejo./ Quanto mais compreendo/ Menos me sinto compreendido./ Ó horror paradoxal deste pensar... " Fernando Pessoa